Anvisa pode proibir anfetaminas

Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa anunciou a intenção de adotar duas medidas: informatizar o controle das receitas médicas e promover uma discussão sobre o uso da anfetamina no País

Esta última pode resultar na proibição da prescrição. “A proibição é um desfecho possível. Mas, antes de ser adotada, precisa ser amplamente discutida”, afirmou o Presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Melo. Ele estima que as primeiras reuniões comecem em março

Relatório da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes – Jife, ligada às Nações Unidas, demonstra que o consumo per capita do Brasil aumentou de forma significativa. O Brasil consome 9,1 doses diárias por mil habitantes, o contrário do que acontece em países ricos. Estimulante, a anfetamina é indicada por alguns médicos para reduzir o apetite.

Por causa dos sérios efeitos colaterais – insônia, depressão, síndrome do pânico -, a droga foi substituída por medicamentos mais modernos. A venda no Brasil é feita, em teoria, de forma controlada. Todos os médicos teriam de fazer uma receita à parte, que fica retida para controle das vigilâncias

Valendo-se da falta de fiscalização, médicos receitam a droga de forma indiscriminada para quem está apenas alguns quilos acima do peso. “Vi um médico que fez mais de nove mil indicações num ano”, disse o Professor Elisaldo Carlini, membro da Junta e diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas – Cebrid.

O Presidente da Anvisa afirmou que o sistema de controle de receitas será informatizado, o que pode garantir maior agilidade para descobrir abusos. “Não posso dizer que o sistema hoje é obsoleto. Mas ele dificulta a análise dos dados”.

Excesso em antidepressivo

Na sexta-feira, 03/03, em Brasília, Carlini divulgou dados do relatório anual da Jife. Além do problema das anfetaminas, ele observou que no Brasil há uma prescrição excessiva de antidepressivos. “Mas com uma finalidade totalmente desvirtuada, como moderador de apetite”, disse. Segundo ele, o antidepressivo fluoxetina já é o medicamento mais vendido em farmácias magistrais de Ribeirão Preto e Florianópolis. “Eles são enfiados goela abaixo de pacientes, sem que eles saibam o risco a que estão sendo submetidos”, disse

O Professor não poupou críticas à classe médica e também à fiscalização. “As normas existentes para prescrição das drogas e seu uso estão aí, são boas. Mas a fiscalização deixa a desejar.

O relatório também chama a atenção para o aumento da produção de maconha no Norte e Nordeste e pelo fato de o País ser um território de intenso trânsito de drogas”.Acabamos nos transformando num mercado relativamente grande de consumo”, admitiu o Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Jorge Armando Félix.
Fonte: Agência Estado