Secretaria Executiva de Educação reforça ações para redução das drogas

Secretaria Executiva de Educação – Seduc intensificou o sinal de alerta nas escolas públicas e promete reforçar as ações para redução do consumo e tráfico de drogas nos estabelecimentos de ensino da Grande Belém. A decisão foi motivada pela pesquisa da Secretaria Nacional Antidrogas – Senad e pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas – Cebrid. Até o serviço de inteligência da polícia está sendo acionado.

As ações de prevenção vão ganhar, até o final deste mês, o reforço do projeto Viva a Vida nas Escolas, inteiramente voltado para reduzir o uso de drogas entre os alunos da rede pública de ensino. Na escola Deodoro de Mendonça, uma das maiores da rede pública de Belém, que tem o serviço de inteligência da polícia como grande aliado, um projeto levado a efeito pela comunidade escolar conseguiu diminuir a dimensão do problema.

A Seduc, orientada pela Companhia de Policiamento Escolar – Cipoe, não divulga os dados dos registros de consumo e tráfico de drogas nas escolas para evitar constrangimento. Mas admite que o problema existe.

Os números da pesquisa publicada no jornal O Liberal na edição do dia 05/03 levaram a Seduc a engrossar o apelo àqueles que aceitam o desafio de ser amigos da escola e inimigos das drogas. De acordo com os dados, aumentou o número de alunos que consomem maconha e cocaína. O órgão registra, hoje, 459.318 estudantes matriculados na rede pública. Em 2004, data da última pesquisa, só agora publicada, pelo menos um quinto dos estudantes já teria experimentado algum tipo de droga, o que corresponderia a 9 mil alunos.

Roberto Teixeira, Secretário-Adjunto da Seduc para a Região Metropolitana de Belém, diz que os números da pesquisa da Senad e do Cebrid são preocupantes, mas lembra que o problema há tempo vem sendo enfrentado pelas escolas, por meio de projetos e programas, com a ajuda de parceiros como o Pró-Paz, Polícia Civil, Divisão de Atendimento ao Adolescente – Data e da Cipoe, entre outros. O problema é enfrentado não só pela equipe técnica da Seduc como também por técnicos especializados no assunto. A Cipoe trabalha com um efetivo de 171 policiais preparados para esse tipo de problema, atuando nas linhas preventiva e repressiva.

Recentemente, revela o Adjunto, a Seduc firmou parceria com o Programa de Articulação pela Cidadania – PAC, vinculado à Secretaria de Proteção Social. Essa parceria resultou no projeto Viva a Vida nas Escolas, que será efetivado até o fim deste mês em várias escolas da rede pública da Região Metropolitana.

A ordem, segundo Roberto Teixeira, é intensificar o trabalho de prevenção, ampliando a equipe com o reforço de parceiros especialistas no assunto. Sintonizados com a equipe técnica da Seduc, técnicos dos Conselhos Nacional e Regional de Entorpecentes, somados a voluntários capacitados no trabalho de prevenção ao uso de drogas, vão percorrer as escolas, falando do assunto por meio de palestras, vídeos, seminários e outras técnicas de conhecimento. A ação do projeto está sendo precedida por um trabalho de levantamento de dados feito pelos próprios professores.

Consumo de solventes sobe para 13,4%

A pesquisa ouviu cerca de 50 mil estudantes em todas as regiões brasileiras, com o objetivo de traçar um diagnóstico do consumo de drogas entre estudantes do ensino fundamental (a partir da 5ª série) e do ensino médio nas 27 capitais brasileiras. Em Belém, 71% dos estudantes consultados em 1987 confessaram que já consumiram álcool. O percentual caiu na mesma pergunta feita em 2004: 57,5%. O consumo do álcool diminuiu, mas aumentou o do cigarro (de 22% para 23,7%), o de solventes (de 7,9% para 13,4%), o de maconha (de 0,7% para 3,3%) e o de cocaína (de 0,1% para 1,9%).

Além do Viva a Vida nas Escolas, Roberto lembra que o trabalho de prevenção tem sido levado a termo pelas próprias unidades de ensino. Muitas escolas implementaram esse tipo de ação dentro do seu projeto político-pedagógico. Há dois anos, cita o Diretor, a Escola Deodoro de Mendonça, uma das maiores da rede de ensino Médio, faz um trabalho de prevenção com os alunos, Coordenado pela Professora Sueli Mendonça.

Roberto Teixeira acredita que o problema pode ser superado com a ajuda de mais parceiros. Ele diz acreditar que a pesquisa constitui um grande apelo à sensibilidade das pessoas que queiram se declarar amigas da escola e inimigas das drogas. “Contamos com a ajuda da comunidade, de pessoas com conhecimento de prevenção, para que engrossem a nossa luta”, apela.

Trabalho em parceria deu resultado positivo em escola da Terra Firme

A Escola Brigadeiro Fontenelle, no bairro da Terra Firme, que ocupa um dos primeiros lugares no ranking dos mais perigosos de Belém, saiu das drogas e outros desmandos para uma experiência que culminou com o reconhecimento da Unesco. Em 2003, o organismo vinculado à Organização das Nações Unidas – ONU premiou a escola da Terra Firme pelos bons resultados obtidos na luta contra a violência dentro do contexto educacional.

Diretora da unidade, a Pedagoga e Advogada Sebastiana Miranda Gomes Machado, à frente da direção desde 1983, lembra que a Seduc, por conta do difícil quadro em que se encontrava a escola, no início da década de 80, cogitou até fechar o estabelecimento. Os demandos eram muitos. Foi descoberta até plantação de maconha no ambiente escolar. Assaltos nos corredores eram comuns. Poucos professores aceitavam ser lotados na escola, que chegou a figurar entre as piores de toda a rede de ensino do Pará.

Sebastiana recorda que, como último recurso, a Seduc decidiu fazer uma intervenção. E a atual diretora era uma das interventoras, assumindo, em seguida, a Direção. A Brigadeiro Fontenelle mudou da água para o vinho. Para reverter o quadro, conta a Diretora, o segredo foi mobilizar segmentos das comunidades intra e extra escolar. Uma força-tarefa foi montada, envolvendo do padre ao Delegado de Polícia, do faxineiro aos pais dos alunos. “Resgatamos a dignidade através das parcerias, da união, da consciência de que a mudança é possível quando as forças se juntam num só objetivo”, justifica a Pedagoga.

Em 2003, já revestida de novo perfil, a Brigadeiro Fontenelle recebeu a maior das condecorações como sinal de reconhecimento pela superação. Bem antes, em 1988 e 1989, foi listada entre as três melhores gestões escolares, recebendo, da própria Seduc e do Conselho Estadual de Educação, o Prêmio de Referência em Gestão Escolar. “Nada mau para quem só figurava nas páginas de polícia da imprensa paraense”, regojiza-se a comandante das ações implementadas. Em 2003, o trabalho foi coroado com o Prêmio Unesco. A Brigadeiro Fontenelle foi a única escola paraense e uma das 16 em todo o Brasil a receber esse prêmio.

Escola Deodoro de Mendonça faz trabalho
educativo e torna-se exemplo

Com 3.982 alunos matriculados neste ano letivo, a escola Deodoro de Mendonça, localizada na área urbana da cidade, é referência na prevenção e redução do uso e tráfico de drogas em toda a rede pública de ensino. O projeto implemementado no dia 13 de fevereiro do ano passado já consegui traçar um novo perfil da comunidade escolar, que, no início, precisou até da ajuda de policiais disfarçados no entorno do prédio. O consumo e o tráfico de drogas tinha a conivência até de bombonzeiros.

Maristela Santos, Diretora do estabelecimento, conta com uma equipe de sete técnicos que se dividem nos três turnos. O número é considerado insuficiente para tanto trabalho, mas os resultados são satisfatórios. A escola tem até alunos que cumprem medidas socioeducativas. Embora alavancadas pela equipe técnica, as ações de prevenção envolvem toda a comunidade intra e extra-escolar. Os alunos já produziram até cartilhas sobre a prevenção. “O problema ainda existe, mas são casos pontuais, que imediatemente têm respostas efetivas”, observou a Diretora.

A Supervisora Sueli Mendonça lembra que o trabalho de prevenção é prioritário no projeto, mas os parceiros não se descuidam do dia-a-dia. Em caso de flagrante, o aluno é primeiramente chamado para conversar com o corpo técnico, havendo em seguida o acompanhamento do problema na família. “É importante que a escola aborde o problema no contexto da vida social do aluno. Daí o envolvimento dos próprios familiares na busca de solução”, explica Sueli.

A Técnica lembra que a Escola Deodoro de Mendonça tem um corpo de alunos diversificado, vindo de quase todos os bairros de Belém e até de outros Municípios. Num recente trabalho de pesquisa, feito para embasar novas ações, os número mostram que numa só sala de 45 alunos estavam reunidos representantes de 18 bairros, o que comprova a diversidade de origem. E mais: apenas 32% dos alunos entrevistados viviam com os pais e os irmãos. Nada menos do que 23% deles moravam com o avô ou com a avó. “Temos, portanto, números que traçam o perfil social do nosso aluno. São dados que direcionam nossas ações e nos permitem um maior entendimento do chão onde queremos pisar”, disse Sueli
Fonte:O Liberal Online