Fortaleza ganha serviço especializado no tratamento da dependência química

Atendimento multidisciplinar específico para dependentes de álcool e outras drogas é o foco do Centro de Atenção Psicossocial, Álcool e Drogas – Capsad. O primeiro do Nordeste que atende especialmente dependentes químicos.

O Chefe do Serviço de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará – UFC, Antônio Mourão Cavalcante, explica que, antes de a pessoa iniciar o tratamento ela vai passar por uma triagem com base num histórico montado a partir de três dimensões.

O primeiro é o perfil psicológico, considerando problemas emocionais, afetivos, na infância, adolescência e relacionamento familiar; depois, rede social, incluindo relacionamento com a família, a escola e o trabalho, laços e conflitos; e, finalmente, a droga utilizada, levando em conta tipo, forma, tempo e freqüência, entre outros aspectos.

Com o perfil traçado, é montado um esquema terapêutico. “Precisamos saber, por exemplo, se o envolvimento com álcool está associado a algum problema psiquiátrico”, explica o Chefe do Serviço de Psiquiatria da UFC, ao qual estão subordinados os Centros de Atenção Psicossocial – Caps da Secretaria Executiva Regional III – SER. Mourão destaca que a busca pelo tratamento deve ser espontânea, caso contrário, não funciona.

Outro aspecto a ser trabalhado pelo Capsad é a prevenção. Para isso, serão contactadas instituições da área, como escolas, associações de moradores, igrejas e outros.

“Ainda estamos formando a equipe e o modelo de assistência. Pois, até o momento, os modelos seguidos eram de fora”, esclarece o médico.

A Coordenação do Capsad está a cargo da enfermeira Maria Socorro Oliveira Santos, que já foi responsável pelo Caps Geral da Regional III, primeiro a ser inaugurado pela Prefeitura, em 1998.

Segundo suas informações, a equipe, quando estiver completa, será constituída por médicos, enfermeiros, assistente social, psicólogos, terapeuta ocupacional, pedagogos e arte-terapeuta.

“No Caps Geral já atendíamos não apenas usuários de drogas, mas famílias inteiras com problemas devido à dependência de um único membro”, conta.

Segundo o Ministério da Saúde, 3% da população geral sofre com transtornos mentais severos e persistentes; 6% apresenta transtornos psiquiátricos graves decorrentes do uso de álcool e outras drogas; e 12% necessita de algum atendimento em saúde mental, seja ele contínuo ou eventual.

A Política Nacional de Saúde Mental aponta para a necessidade de reorientação do modelo de assistência em saúde mental. A principal estratégia do Ministério para a construção desse novo modelo é a implantação dos Centros de Atenção Psicossocial – Caps, uma rede de serviços abertos e comunitários substitutivos ao hospital psiquiátrico, fruto de discussões que a sociedade vem acumulando sobre a garantia dos direitos das pessoas com transtornos mentais.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde – SMS, atualmente Fortaleza tem uma rede de serviços psiquiátricos centrado com sete unidades de atendimento que impõem aos portadores de transtornos mentais o acompanhamento psiquiátrico hospitalar quase como única alternativa de tratamento.

SERVIÇO: O Capsad funciona na Rua Papi Júnior, s/n – Em frente ao Hospital do Câncer do Ceará, ainda sem telefone
Fonte: Diário do Nordeste