Entidades querem diminuir o uso de anfetaminas

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia de Metabologia – SBEM e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica – ABESO, preocupadas com o relatório da Organização das Nações Unidas – ONU que indica o Brasil como o maior consumidor de anfetaminas no mundo, decidiram tomar medidas para diminuir o uso dessas substâncias, encontradas amplamente em fórmulas para emagrecimento. Essas medidas serão propostas à Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, na tentativa de obter um maior controle sobre esse tipo de medicamento.

Foi constatado que em muitas dessas fórmulas são utilizados inibidores de apetite, hormônios tiroideanos, diuréticos, ansiolíticos, entre outros. Segundo a Presidente da SBEM Marisa César Coral, o uso dessas fórmulas acarreta diversos problemas aos consumidores, sem que se acabe com o problema da obesidade – doença que atinge cerca de 20 milhões de brasileiros. “Não existe fórmula milagrosa para emagrecer. O uso indiscriminado desses produtos, principalmente o hormônio tiroideano, traz conseqüências maléficas, e muitas vezes irreversíveis, aos seus usuários. Toda dieta precisa do acompanhamento de um especialista”.

A cobrança de um corpo perfeito ou magro levou à busca incontrolável por receitas milagrosas e rápidas para a perda de peso. “O Brasil é um dos poucos países no mundo em que não há uma legislação específica sobre o uso de anfetaminas e fórmulas de emagrecimento. É preciso criar uma norma para que eles sejam usados de maneira correta e controlada”, afirma Marisa.

A proposta desta aliança entre SBEM e Abeso, em parceria com os Conselhos Regionais de Medicina, solicita a obrigatoriedade de bula em todas as fórmulas para emagrecer; a divulgação de meios para que a população reconheça os endocrinologistas capacitados; a facilitação para que os casos dignos de avaliação quanto à qualidade da prática da boa medicina sejam encaminhados aos órgãos competentes.

“Temos que tomar cuidado para não crucificar a anfetamina, pois, se usada de corretamente e em doses certas, ministradas por profissionais capacitados e que acompanhem o desenvolvimento dos pacientes, é um medicamento muito útil. O que temos que evitar é a utilização de anfetaminas como remédio milagroso. É preciso um controle para que esses medicamentos tenham mais especificações e as pessoas saibam o que estão consumindo”, explica Walmir Coutinho, membro da Abeso.
Fonte:A Tribuna do Mato Grosso