Aumenta o número de estudantes brasileiros que consomem álcool

Com média de idade de 18 anos, adolescentes do Instituto Social da Bahia – Isba, em Ondina, após beber excessivamente nos fins-de-semana, ainda se reúnem às segundas-feiras para fazer indevido de álcool . Eles não sabem, mas fazem parte da mais recente estatística da Secretaria Nacional Antidrogas – Senad, que entrevistou 48.155 jovens em todo o País.

Na faixa etária até os 18 anos, 80,8% deles respondeu já ter experimentado algum tipo de bebida alcoólica. Uma outra pesquisa da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – Unesco mostra que, entre os estudantes de Salvador dos ensinos fundamental e médio, independente da faixa etária, 34,8% consomem álcool. Bebo desde os 12, admitiu um dos alunos Isba depois de acender um cigarro e confessar que já havia repetido uma das séries.

A iniciação precoce é apontada como um dos mais graves problemas relacionados com o uso indevido do álcool entre jovens estudantes. O consumo cada vez mais cedo é um dos indicadores do alcoolismo futuro, alerta o Psicanalista do Centro de Estudos e Tratamento do Abuso de Drogas – Cetad da Universidade Federal da Bahia – Ufba, George Soares. Ele acredita que os jovens começam a beber cada vez mais cedo, o que se confirma nas pesquisas.

Um estudo da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas – Abead revelou que, nos anos 70, a iniciação alcoólica se dava entre jovens de 14 e 15 anos. Hoje, a faixa etária teria caído para 12 e 13 anos. Os jovens que consomem álcool costumam ser mais impulsivos e violentos, diz o especialista.

As jovens estudantes também começam a fazer parte dos números. Algumas pesquisas mostram que a proporção de meninos e meninas que consomem álcool é a mesma. “Ainda precisamos de mais pesquisas para confirmar isso, mas o fato é que as mulheres estão bebendo muito mais do que antes”, acredita George Soares. No caso delas, aliás, o risco de doenças é maior. Biologicamente, as mulheres são menos resistentes e mais vúlneráveis ao álcool do que os homens. Elas começam a ter problemas clínicos muito mais cedo, garante.

Vários outros problemas estão relacionados ao álcool na adolescência. O baixo rendimento escolar e os acidentes automobilísticos são alguns exemplos. Até o uso da camisinha está intimamente ligado ao uso da droga. Como diminuem a percepção de risco, eles esquecem de usar o preservativo e ficam suscetíveis a gravidez indesejada e a doenças sexualmente transmissíveis, alerta o psicanalista.
Fonte: Correio da Bahia