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Cresce uso de droga entre crianças de 10 a 12 anos

Crianças de 10 a 12 anos, alunos de escolas públicas, cada vez mais consomem drogas. A constatação está no último levantamento realizado com alunos do ensino fundamental e médio da rede pública, feito pelo Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas – Cebrid da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp e pela Secretaria Nacional Antidrogas – Senad. Entrevistadas em 2004, 16,4% das crianças dessa faixa etária, em São Paulo, responderam que já usaram droga pelo menos uma vez na vida (exceto álcool e tabaco).

A pesquisa anterior, de 1997, apontava que em São Paulo, 12,3% dos estudantes de 10 a 12 anos haviam tido essa experiência. A pesquisa mostra ainda que a idade média para uso de drogas é cada vez menor. A idade média em que os estudantes começam a beber bebida alcoólica é de 12,5 anos. O cigarro, com 12,8 anos. A seguir estão crack (13,8 anos), maconha (13,9 anos) e cocaína (14,4 anos).

Feito em 27 capitais brasileiras e divulgado em Brasília, o estudo ainda mostra que em São Paulo aumentou o percentual de consumo de drogas, pelo menos uma vez na vida, nas faixas etárias de 13 a 15 anos e de 16 a 18 anos. Já o uso dos 18 em diante (em relação ao trabalho de 1997) diminuiu. Os alunos que já fizeram uso de drogas têm maior porcentagem de defasagem e faltas escolares.

Nas classes sociais A e B (mais ricas), encontrou- se um percentual maior de estudantes que tiveram contato com entorpecentes: 30,7%, contra 21,1% das classes D e E. Há tendência de queda no consumo de álcool e de tabaco e aumento na tendência de uso de maconha. Os solventes, como acetona, cola de sapateiro e éter, ainda são o tipo de droga mais usado, excluindo tabaco e álcool. Atrás deles vêm a maconha, os anfetamínicos (remédios para inibir apetite, por exemplo), ansiolíticos (tranqüilizantes) e a cocaína.

De acordo com o Psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, do Programa de Orientação e Atendimento de Dependentes – Proad da Unifesp, cerca de 10% dos que experimentam drogas tornam- se dependentes. Para ele, a religião tem efeito protetor. “São pessoas com menor chance de serem usuários de droga. Já com relação aos esportes, há estudos em que os praticantes usam mais droga do que os não- praticantes. Talvez porque sejam mais ativos. Por fim, o relacionamento familiar ruim, principalmente com o pai, é um fator muito presente entre usuários de droga. Supomos que o pai é a figura dos limites impostos. A droga é o sintoma, não a causa” avalia.

Em São Paulo, a amostra foi feita com 3.522 estudantes. Destes, 814 haviam usado entorpecente ao menos uma vez na vida e 2.708 nunca usaram.
Fonte: Agência O Globo Online