Dependência química preocupa médicos

O alcoolismo, doença caracterizada pela dependência física ou psicológica de bebidas alcoólicas, foi um dos temas mais discutidos na semana em que várias atividades lembraram o Dia Mundial da Saúde, comemorado na última sexta-feira, 07/04. O assunto se torna mais preocupante, em virtude da Secretaria Nacional Antidrogas – Senad e o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas – Cebrid ao entrevistar 48.155 jovens de todo o País, na faixa etária até os 18 anos, ouviu de 81% deles que já haviam experimentado algum tipo de bebida alcoólica. Outra pesquisa, da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – Unesco, apurou que 34,8% dos estudantes brasileiros, dos Ensinos Fundamental e Médio, consomem álcool.

O Psiquiatra Marcos José Andrade Simões, Médico especializado em dependência química, afirmou que o alcoolismo é uma doença que desenvolve o mecanismo de tolerância do álcool, levando o individuo a beber muito mais até se alcoolizar. O doente crônico, por exemplo, ingere muita bebida em decorrência do efeito das enzimas, do metabolismo do álcool serem mais rápidos em seu organismo do que naquelas pessoas que não bebem. “Se este indivíduo pára de beber, quando retorna ao consumo volta de onde parou, a tolerância fica maior”, observou.

O que é mais grave, quando a pessoa para por conta própria, são os sintomas de abstinência, como insônia, pesadelos, tremores, diarréia e delírios (alucinações). No entanto, a bebida alcoólica é ingerida novamente, os sintomas relatados desaparecem. “Esse tipo de paciente não se trata sem o uso de remédios, tem que tomar os medicamentos necessários para evitar o quadro. Nessa fase do alcoolismo a única alternativa é o tratamento em clínica, internado, para que seja feita a desintoxicação alcoólica”, afirmou Marcos Andrade.

No caso dos adolescentes e jovens que tomam bebidas alcoólicas e não apresentam sintomas de abstinência como dor de cabeça, mal-estar ou tontura, Marcos Andrade garantiu que, mesmo assim, existe uma pré-disposição destes indivíduos se tornarem dependentes. “O alcoolismo é uma doença progressiva, incurável e com terminação fatal”, sentenciou, acrescentando, que chegou a cuidar de um paciente de oito anos de idade que tinha cirrose. Era um garoto que morava no mercado central da cidade.

Estágios do alcoolismo

Marcos Andrade afirmou que a doença do alcoolismo possui três fases básicas. A primeira é a aguda, quando o indivíduo consome a bebida alcoólica de vez em quando. A fase crônica, é aquela em que a pessoa já apresenta problemas no fígado ou no estômago. São comuns doenças como esteatose, hepatite (gordura no fígado), gastrite, perda de peso, insônia e irritabilidade.

A terceira e a mais grave fase da doença,observou Marcos Andrade, é a psicose alcoólica, quando a solução é o internamento do paciente para se submeter a tratamento. Chegando a este estágio, a pessoa fala sozinha, tem alucinações, pode cometer um suicídio sem ter consciência do que praticou. Fica totalmente fora da sanidade mental. Ele frisou ainda, que existem quatro tipos de psicoses alcoólicas: o delirium tremens, a paranóia, o delírio de ciúmes (pensa que está sendo traído), e finalmente, as psicoses korsakof e wernek, que são terminações fatais em que o individuo vem a óbito.

Passos para a recuperação

O Psiquiatra chama a atenção para o fato de que o consumo de bebida alcoólica, resulta em vários tipos de problemas, como cirrose, Acidente Vascular Cerebral – AVC, afogamentos, acidentes de trânsito, entre outros.
Fonte:Correio de Sergipe