Terapias alternativas influenciam no tratamento do tabagismo

A maioria das recaídas após um período de abstinência de cigarros está relacionada a situações de estresse psicológico. O tabagismo é uma doença complexa e o seu controle requer a integração de diversos tipos de tratamentos. Entre eles, medidas não-medicamentosas, que envolvem grupos de terapia, centros de convivência, aconselhamento e outros tipos de abordagens que considerem a saúde emocional do paciente. Segundo os médicos, esse tipo de tratamento conhecido como psicossocial pode ser comparado ao farmacológico (com remédios) em termos de importância e impacto.

O artigo “Tratamentos não-farmacológicos para o tabagismo” publicado na Revista de Psiquiatria Clínica avaliou os princípios e a eficácia das técnicas psicossociais no tratamento do tabagismo. A partir de estudos e revisões existentes, o artigo apontou e comentou a aplicação de tratamentos não-farmacológicos em situações clínicas usuais e em populações especiais. Foram analisadas abordagens psicossociais como o aconselhamento médico, materiais de auto-ajuda, aconselhamento telefônico e terapia comportamental.

Normalmente, os médicos recomendam os pacientes a parar de fumar em prol da saúde e da qualidade de vida. No entanto, o artigo em análise destacou dificuldades de abordagem do tabagismo de forma freqüente nas consultas médicas. Entre elas, a escassez de tempo e a percepção por parte dos profissionais de que o tratamento do tabagismo não é eficiente. Outra dificuldade encontrada nos estudos foi a falta de padrões e métodos para as abordagens. As recomendações não são padronizadas e dependem muito do estilo do médico que faz a intervenção.

No artigo “Tratamentos não-farmacológicos para o tabagismo”, os materiais de auto-ajuda são retratados como a principal forma de motivar e oferecer às pessoas informações sobre meios de abandonar a dependência. Foldêres, cartilhas e outros tipos de impressos são comuns, embora recentemente materiais de áudio e vídeo, além de programas para computador, sejam citados. No entanto, a pesquisa constatou que ainda não existem estudos suficientes que avaliem o bom desempenho desses recursos.

O aconselhamento telefônico é o método que tem como grande vantagem a diminuição de barreiras, como a distância do local de tratamento ou a falta de tempo do paciente; mas a realização de pesquisas com o uso de telefonemas reativos é uma tarefa difícil. Poucos estudos realizados com a metodologia científica adequada foram feitos sobre o tema. Logo, as pesquisadoras do artigo em questão recomendam que estudos nessa área sejam urgentemente desenvolvidos.

Com relação à terapia comportamental, foram avaliados diversos estudos que observaram a eficácia da técnica no tratamento do tabagismo. Na maioria das revisões sobre terapias comportamentais, a taxa de abstinência após seis meses variou de 15% a 25%. Esse tipo de abordagem utiliza diversas técnicas no tratamento do tabagismo. Intervenções que associam múltiplos componentes estão bem-validadas, mas poucas pesquisas foram realizadas com cada uma das técnicas em separado. Contudo, existem evidências de que o treinamento de habilidades, solução de problemas e o apoio social, principalmente fora do tratamento, tornam a abordagem eficaz.

Outras técnicas, como acupuntura, hipnose e a prática de exercícios físicos também foram consideradas, mas não foram apontadas evidências suficientes para que fossem recomendadas isoladamente.

Texto elaborado pelo OBID a partir do original publicado pela Revista de Psiquiatria Clínica, set./out. 2005, vol.32, nº.5, p.267-275. ISSN 0101-6083, Editado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832005000500004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt
Autor: PRESMAN, Sabrina; CARNEIRO, Elizabeth; GIGLIOTTI, Analice.
Fonte: OBID