Álcool é veneno para homens mais velhos, diz pesquisa

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles nos Estados Unidos examinaram os efeitos do álcool como fator de risco em casos de comorbidades (dois ou mais transtornos de personalidade), durante 20 anos, constatando quanto o consumo agravou as condições clínicas de mais de 4,6 mil homens com mais de 60 anos.

Segundo o Coordenador do estudo, Doutor Alison A. Moore, “um exemplo de abuso de álcool seria o consumo de três doses por dia, em quatro ou mais ocasiões durante uma semana. Se um paciente está tomando medicamentos para insônia ou dor, por exemplo, e consumir duas ou três doses de bebida alcoólica, já representa enorme agravante à saúde”.

Na amostragem avaliada, 39% dos pacientes eram alcoolistas, 10% estavam no limite do alcoolismo, e 69% foram considerados consumidores de alto risco, por conta da ingestão de álcool na presença de outros transtornos ou doenças.

Publicado no Journal of American Geriatrics Society, o estudo aponta a gota (22%) e a úlcera gástrica (16%) como condições clínicas e psiquiátricas que mais identificam o consumo de alto risco de álcool. Na opinião do Cirurgião Gástrico Vitório Luís Kemp, do Hospital Paulistano, o álcool é mesmo um veneno, principalmente quando associado a antibióticos, antiinflamatórios ou mesmo alguns alimentos. “As crises de gota, por exemplo, costumam ser desencadeadas pela combinação entre bebida alcoólica e carnes, tão comum em barezinhos, hoje em dia, ou mesmo em churrascos de fim de semana. Já a úlcera gástrica sofre a ação direta do álcool, que destrói as defesas naturais da parede do estômago contra a acidez”.

Kemp chama atenção para o comportamento abusivo dos jovens, atualmente, em relação ao álcool. “Essa geração que sai da faculdade ou do trabalho e faz pit-stop em barzinho, bebendo excessivamente e ingerindo alimentos condimentados, está condenada a uma qualidade de vida ruim quando atingir a meia-idade. Tanto do ponto de vista clínico, já que estarão muito mais sujeitos a complicações de fígado, bexiga, esôfago, pâncreas e estômago – incluindo câncer -, como do ponto de vista social, já que serão mais expostos a constantes internações e à desagregação familiar.”

Com informações do Journal of the American Geriatrics Society, Maio 2006 e do Dr. Vitório Luís Kemp, cirurgião gástrico do Hospital Paulistano.
Fonte: Correio do Brasil