A influência de neuroesteróides na tolerância ao álcool

Embora o alcoolismo seja um dos principais problemas de saúde pública do mundo, os mecanismos responsáveis pelas manifestações clínicas dessa doença permanecem não esclarecidos. Vários estudos têm sido feitos para se entender melhor os mecanismos de ação que desenvolvem a tolerância e a dependência alcoólica.

As descobertas da tolerância sobre os efeitos do etanol ajudaram a compreender a natureza do hábito de consumir bebidas alcoólicas, conduzindo ao desenvolvimento de novos tratamentos para a doença. A tolerância é um dos vários critérios que caracterizam a dependência do etanol. É definida pela necessidade de quantidades cada vez maiores de uma substância para atingir o estágio de intoxicação, ou por uma grande redução dos efeitos a partir do uso constante da mesma quantidade de uma substância.

Estudos têm mostrado que os neuroesteróides (drogas que estimulam o funcionamento dos neurônios) podem bloquear ou estimular o desenvolvimento da tolerância aos efeitos do etanol, como a falta de coordenação e a hipotermia (diminuição excessiva da temperatura normal do corpo).

Como o efeito ansiolítico (tranqüilizante) do álcool é geralmente um dos fatores ligados à dependência desta droga, um estudo publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria investigou a influência do neuroesteróide isopregnenolona, sobre o desenvolvimento da tolerância ao efeito ansiolítico do etanol em camundongos.

Na pesquisa camundongos machos foram tratados com 0,05mg, 0,10mg ou 0,20mg de isopregnenolona 30 minutos antes da administração de 1,5g de etanol. Após 24 horas, todos os animais foram testados em um labirinto. O primeiro experimento foi realizado com o intuito de selecionar uma dose de etanol que produzisse tolerância rápida ao efeito ansiolítico. No segundo experimento, o objetivo foi investigar o efeito da isopregnenolona sobre a tolerância rápida ao etanol.

Os resultados mostraram que a administração de uma dose de 1,5g de etanol resultou na redução do seu efeito ansiolítico no segundo dia da experiência. Também no segundo dia foi verificado que o tratamento com a dose de 0,20mg de isopregnenolona obstruiu o desenvolvimento da tolerância ao efeito ansiolítico do álcool. A dose de 0,10mg somente obstruiu parcialmente o desenvolvimento de tal tolerância, e a de 0,05mg não teve nenhum efeito no desenvolvimento da tolerância ao etanol.

Os autores do estudo concluíram que o tratamento prévio com o neuroesteróide isopregnenolona interferiu no desenvolvimento da tolerância ao efeito ansiolítico do etanol.
Texto elaborado pelo OBID a partir do original publicado pela Revista Brasileira de Psiquiatria, mar. 2006, vol.28, nº.1, p.18-23. ISSN 1516-4446, Editado pela Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP.
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462006000100005&lng=pt&nrm=iso&tlng=en
Autor: DEBATIN, Thaize; BARBOSA, Adriana Dias Elpo.
Fonte: OBID