O uso de testes de drogas no ambiente familiar.(Psychemedics Brasil)

Nos últimos anos o uso de testes de drogas no ambiente familiar vem crescendo, principalmente em decorrência de uma oferta mais ampla de tecnologias e de custos mais baixos, bem como um número crescente de empresas especializadas oferecendo este serviço;  Mas existem ainda muitas dúvidas a respeito de conveniência, acerca das tecnologias disponíveis e da real eficácia dessa medida no controle de drogas no ambiente familiar.
 
Neste artigo iremos nos aprofundar nessas questões e em outros aspectos relacionados.
 
O uso de testes toxicológicos ganharam força a partir dos anos 70, principalmente nos EUA, em decorrência de pesquisas patrocinadas pelo departamento de transportes americano que relacionavam acidentes graves com o abuso de drogas e recomendavam uma política de testes de drogas nos funcionários envolvidos com atividades sensíveis. A partir daí uma nova indústria floresceu nos EUA e posteriormente no mundo; A do “Drug Testing” ou testes de drogas.

A tecnologia disponível nesta época ainda era baseada exclusivamente em urina e ofereciam uma segurança mediana, pois ocorriam vários casos de falsos negativos (testes de pessoas que utilizavam drogas mas que os exames eram negativos) ou de falsos positivos (pessoas que não usavam drogas mas por diversos fatores tinham seus exames positivados) esses muito sérios por suas implicações graves.
 
O uso desses testes no ambiente familiar começou exatamente nesse momento. Sempre houve a preocupação dos pais em “isolar” seus filhos do contato com as drogas, ou ao menos saber o quanto antes desse contato. O teste de drogas então pareceu uma boa idéia.
 
O uso deste tipo de testes é, principalmente, para:
 
1. Inibir um contato inicial com as drogas pela persuasão. “A qualquer momento poderemos testá-lo, logo fique longe das drogas”,  dizem os pais.
2. Para detectar se o filho tem um envolvimento com drogas, fato sempre negado com veemência por quem delas faz uso.
3. Para avaliar o grau de dependência de usuários.
4. Para acompanhar a recuperação e controlar eventuais recaídas no pós-tratamento.
 
O problema era que não haviam laboratórios para realizar tais testes no Brasil até meados dos anos 90, quando apareceram os primeiros laboratórios nacionais e os primeiros kits de testagem rápida.
 
Embora controverso e não muito fácil de achar, alguns pais, principalmente com problemas já detectados na família, começaram a usar destes testes, na época somente baseados em amostras de urina.
 
Cabe agora uma rápida explanação a respeito das tecnologias de testes e suas aplicações na família:
 
Testes de urina
 
São os mais comuns e populares e, geralmente, os mais baratos. Também tem a vantagem de poderem ser apresentados em kits descartáveis – semelhantes aos kits para checagem de gravidez – o que facilita a aplicação. O problema é que os testes de urina detectam somente se o consumo de drogas ocorreu alguns dias antes. Cinco a sete dias no caso da maconha e menos de três nas outras drogas. Isso faz com que o teste só seja eficaz para detectar consumidores muito ávidos pela droga e que a consumam com uma grande freqüência.

Consumidores ocasionais – como geralmente filhos no começo da dependência – somente seriam detectados se o consumo da droga fosse realizado nos mesmos dias da realização do teste o que é pouco provável segundo pesquisas.

Outro problema dos testes de urina é que, caso detecte o consumo de alguma droga, eles não conseguem diferenciar quanta droga foi consumida e isso pode ser muito importante, uma vez que um consumidor esporádico é muito diferente de um consumidor freqüente e a abordagem terapêutica deve também ser adequada a cada caso.

Custo: de R$ 60,00 a R$ 400,00 dependendo do tipo de da quantidade de drogas testadas.
 
Testes de suor e saliva
 
Estes testes possuem a vantagem apregoada de poderem detectar o uso de drogas apartir da análise de objetos tocados ou roupas usadas por usuários. Isso é bastante controverso. A quantidade de suor presente deve ser alta, caso contrário o teste terá um resultado negativo, não importa a quantidade de droga usada. Caso seja realizado diretamente na pele do usuário é ele bem mais eficaz. Alguns deles são vendidos em bastões, semelhantes a testes de gravidez enquanto outros são uma espécie de lenço que deve ser remitido para olaboratório para análise depois de ter sido esfregado na pele do suposto usuário. A principal vantagem é que eles podem ser utilizados com descrição, sem que o testado saiba.

Assim como os testes de urina eles tem uma janela de detecção pequena, de um a dois dias, apenas, e não diferenciam o padrão de uso da droga. São também bem mais caros que os teses de urina.

Custo: de R$ 160,00 a R$ 500,00 dependendo do fornecedor e da quantidade de drogas testada.
 
Testes de cabelos ou pêlos
 
Estes testes são a mais nova tecnologia de testes e resolvem vários problemas apresentados pelos antecessores. A maior vantagem está na janela de detecção: É de pelo menos 90 dias, podendo chegar até a 6 meses. Isso o torna ideal para controlar o uso de drogas, mesmo que esporádico.

Outra vantagem está que este teste além de detectar  o uso de drogas avalia quanta droga foi consumida e, ao cruzar esta informação com um banco de dados pode avaliar qual padrão de abuso tem o testado, de levíssimo a pesadíssimo. Também testa de uma só vez muitas diferentes drogas (12).

O problema: é relativamente caro quando comparado aos demais testes e não é instantâneo ou seja há de se enviar a amostra de cabelos/pêlos para o laboratório e aguardar uma semana pelos resultados.
Custo: R$ 360,00 para 12 drogas.
 
A escolha de qual tecnologia depende de qual o uso de deveremos dar aos resultados e qual a motivação para o teste.
 
Cabe ressaltar que muitos especialistas também consideram o uso deste tipo de testes invasivo e uma afronta a liberdade individual, enquanto outros consideram que estes testes podem ser usados como uma nova arma no combate ao consumo de drogas. Mas todos são uníssonos na necessidade insubstituível do diálogo e da educação contínuos na prevenção do abuso de drogas na família.
 
Há também um consenso na grande utilidade destes testes na reinserção de ex-dependentes na vida cotidiana, para detectar recaídas – que podem ocorrer em até 80% dos casos – rapidamente.
 
No exterior, principalmente nos EUA, os testes no ambiente familiar são cada vez mais utilizados, havendo até mesmo escolas que os utilizam de maneira anônima a fim de mensurar a eficácia de medidas de prevenção e educação.
 
Atualmente estes todos estes testes mencionados no presente artigo podem ser adquiridos pela internet, por sites como o www.testededrogas.com.br onde também pode-se ter acesso a material explicativo.



Enfim a decisão de usar ou não um teste desse tipo cabe á família, pois somente ela sabe da necessidade e de sua história particular. Mas os instrumentos para isso estão, mais que nunca, a mão e disponíveis.
Fonte:Psychemedics Brasil