Vírus do HIV se alastra no Sudeste brasileiro

A Região Sudeste do Brasil, principalmente as grandes cidades, estão entre as áreas mais afetadas pela epidemia do HIV em toda a América. No entanto, embora a epidemia brasileira esteja concentrada majoritariamente nos grandes centros urbanos, existem evidências suficientes de que uma rápida mudança epidemiológica vem ocorrendo. Os dados brasileiros recentes sobre Aids mostram uma tendência em direção ao crescimento do número de casos em municípios menores.

Estudos mostram que enquanto a incidência de casos de Aids entre homens sobe 4% ao ano nas grandes cidades, nas pequenas cidades esse aumento é de 20%. Consequentemente, para implementar medidas de controle apropriadas e adequadas, é urgente um melhor entendimento das características da infecção por HIV nas comunidades brasileiras relativamente pequenas e nas áreas rurais.

Visando ao desenho de estratégias de intervenção, alocação apropriada de recursos e melhoria da assistência aos soropositivos, estudo publicado pela Revista de Saúde Pública investigou as características clínicas e epidemiológicas da infecção pelo HIV em Miracema, município do Estado do Rio de Janeiro, entre julho de 1999 e dezembro de 2003. Foram analisados todos os pacientes adultos com diagnóstico de infecção pelo HIV atendidos no Programa Municipal de HIV/Aids, onde foram coletados dados clínicos e epidemiológicos por meio de um questionário padronizado.

Foram analisados no total 65 pacientes adultos que receberam atendimento no Programa Municipal, a maioria (34) mulheres. Encontrou-se preponderância absoluta de pacientes que nasceram em Miracema ou municípios vizinhos (94%), moravam em Miracema (90,7%), eram solteiros (70,8%), atribuíam a aquisição da infecção ao contato heterossexual desprotegido (72,3%) e tinham antecedentes de uso de cocaína inalada (27,7%). A maioria dos pacientes (56,9%) iniciou o acompanhamento/tratamento em estágios avançados de infecção pelo HIV.

A pesquisa concluiu que a preponderância de pacientes em estágios avançados de infecção pelo HIV sugere a existência de um grande número de casos não diagnosticados na comunidade. Uma característica marcante foi a inversão da razão entre os sexos (mais mulheres que homens), o que é incomum em estudos sobre o tema. Estudos adicionais cobrindo áreas geográficas maiores são urgentemente necessários para o melhor entendimento do espectro clínico e epidemiológico da infecção pelo HIV em pequenos municípios brasileiros e áreas rurais.
Texto elaborado pelo OBID a partir do original publicado pela Revista de Saúde Pública, dez. 2005, vol.39, nº.6, p.950-5. ISSN 0034-8910, Editado pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102005000600013&lng=pt&nrm=iso&tlng=en
Autor: EYER-SILVA, Walter A; BASÍLIO-DE-OLIVEIRA, Carlos Alberto; MORGADO, Mariza G.
Fonte: OBID