Malefícios do tabaco na pele e no cabelo

Todos já sabemos que fumar faz mal à saúde. Obstrui as vias respiratórias e pode resultar em câncer de pulmão. Mas o tabagismo também afeta a pele. “O fumo tem algumas características nocivas para a pele”, afirma a Dr.ª Marília Moreira da Fonseca, dermatologista.

Os sinais não são imediatos. São observados em pessoas que fumam a um determinado tempo. De fato, o tabaco inalado afeta o nível de oxigenação da pele. “A nicotina é um potente vasoconstritor e dificulta o fluxo sanguíneo. Da mesma maneira que é prejudicial para problemas cardíacos, diabetes e outras doenças”, alerta a dermatologista.

De acordo a Dr.ª Marília Moreira “com o uso de tabaco a oxigenação faz-se deficientemente no nível celular, o que decorre em um envelhecimento prematuro”.

Além disso, segundo a especialista, “o tabaco também atua nas células de imunidade que, por sua vez, identificam e alertam o organismo para alérgenos ou agentes agressores à pele”.

Sinais como a vermelhidão da pele, comichão e inflamação são alertas de socorro. Mas um fumante pode deixar de ter estes sinais de reação. Nestes casos, “a pele é agredida e vai se deteriorando”, alerta Marília Moreira.

A face do fumante

Muitos dos fumantes são descritos pelos especialistas como alvo de um “smoking envelhecimento”, com a degeneração prematura da pele.

Mas, além do envelhecimento precoce da pele, devido à falta de oxigenação, o tabaco também inibe a produção dos fibroblastos, células importantes que produzem o colágeno e a elastina, materiais existentes na derme, que dão textura e elasticidade à pele e impedem a flacidez.

Marília Moreira descreve o estado em que fica a pele afetada pelo tabaco: “As pessoas têm uma tez amarelada, uma pele macilenta e sem brilho. Aproxima-se da pele das pessoas mais velhas”.

Ainda de acordo com a médica, é comum nas mulheres que fumam surgirem precocemente imensas rugas à volta da região perioral, perpendiculares aos lábios. São pequenas rugas, que ainda não têm a profundeza das pessoas mais velhas, mas que já começam por volta dos 30 anos.

Estas rugas constituem uma característica resultante do próprio ato de fumar, isto é, são conseqüência da expressão dos fumantes quando comprimem o cigarro nos lábios.

O cabelo também sofre?

Quanto aos possíveis efeitos do tabaco no cabelo, pode-se falar em hipóteses, dado que existem poucos estudos sobre o assunto. Contudo, é possível fazer alguns paralelos com outras situações.

É deficiente a oxigenação, que acompanha o tabagista, durante uma cirurgia. No decurso desse procedimento, nas zonas periféricas do organismo, como a pele, o fluxo de sangue é reduzido para que ele seja desviado para órgãos nobres, como o coração, o cérebro e o rim, de forma a que estes sejam minimamente lesados. Devido a tal, no pós-operatório, assiste-se freqüentemente, em particular em cirurgias prolongadas, à queda do cabelo como efeito secundário.

Assim, por comparação, pode-se fazer uma aproximação forçada das situações. O tabaco, à longo prazo, pode funcionar um pouco da mesma forma no couro cabeludo, devido à falta de oxigenação, em especial, numa pessoa já predisposta geneticamente à queda de cabelo.

Mas a dermatologista alerta que é difícil estabelecer uma relação direta entre o tabaco e a queda de cabelo. “Neste processo de queda de cabelo muitos são os fatores envolvidos e não é de todo raro vermos fumantes com ótimos cabelos e não fumantes calvos”, acrescenta.

Fumantes passivos

Podem ficar descansados os que não fumam, mas vivem entre fumantes, pois, para além do odor, a pele não é afetada pelos cigarros alheios.

O tabaco, ao ser inalado, poderia atacar a pele apenas em uma situação limite, como em ambientes fechados, com pouca ventilação.

“Mas isto teria de acontecer com exposições prolongadas e em concentrações elevadíssimas de tabaco, o que é pouco significativo nos ambientes usuais”, esclarece a dermatologista.
Fonte: Médicos de Portugal
OBID