Consumo de crack em latas de alumínio pode agravar Mal de Alzheimer

Um estudo inédito, realizado em Porto Alegre, evidencia que os perigos do crack não se restringem ao uso da pedra. Os usuários correm o risco de ter ossos enfraquecidos, demência e até o agravamento do Mal de Alzheimer por aquecer as latas de refrigerante a cada vez que inalam a droga. Os males ocorrem em razão da exposição excessiva ao alumínio, que se desprende com mais facilidade com o calor. A constatação é de resultados preliminares de um levantamento do Centro de Pesquisa em Álcool e Droga da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – CPAD/UFRGS.

As primeiras conclusões da pesquisa serão divulgadas oficialmente em junho durante um congresso nos Estados Unidos. Segundo o estudo, os níveis do metal encontrados no sangue de 73 viciadas em crack atingia 4,7 microgramas por litro – 62% mais do que os indicadores observados em amostras de outras 73 mulheres sem contato com a droga. Mais grave ainda é que praticamente uma em cada cinco pesquisadas tinha maior quantidade de alumínio do que o valor máximo aceitável (seis microgramas por litro).

“Os números são preocupantes até porque não se sabe em que nível o alumínio começa a causar problemas”, avalia o diretor do CPAD e coordenador da pesquisa, Flavio Pechansky. Ele alerta que os indivíduos ideais não têm alumínio no sangue, mas a maior parte das pessoas apresenta níveis mínimos, que não chegam a causar males à saúde. Essa absorção se dá em razão do consumo de produtos que tiveram contato com o metal, em panelas e embalagens.

A situação dos usuários de crack deixa estudiosos apreensivos, porque a exposição ao alumínio é tão grande durante a inalação da droga que os rins não conseguem eliminá-la pela urina. Com isso, a toxina passa a se depositar no cérebro e nos ossos e, com os anos, apresenta seus primeiros efeitos nocivos, explica o responsável técnico do laboratório Toxilab, Renato Nesralla Mattar, que fez a análise das amostras.

Estudos continuarão a ser feitos com homens viciados

As primeiras conclusões estimularam o centro da UFRGS a encaminhar uma nova fase do estudo. Os técnicos agora colhem sangue e urina de homens viciados, e novos resultados deverão ser conhecidos em 40 dias. A fase anterior analisou usuários com média de 28 anos que usavam 49 pedras da droga por mês.

Com base nas constatações, campanhas contra as drogas poderão reforçar os alertas sobre os perigos do crack, derivado da cocaína que provoca problemas pulmonares, ataque cardíaco e derrame cerebral. A pesquisa também servirá como referência para que defensores das chamadas políticas de redução de danos defendam a troca, por parte dos usuários, das latas por cachimbos de vidro.

Como ocorre a Intoxicação

– O usuário aquece a lata de refrigerante para inalar o crack. Além do vapor da droga, ele aspira o alumínio, que se desprende com mais facilidade em razão do aquecimento;
– O metal chega ao pulmão onde entra na corrente sanguínea;
– O sangue com o alumínio vai até os rins. Devido ao excesso, o órgão não consegue fazer com que o corpo elimine toda a impureza pela urina;
– O alumínio continua na corrente sanguínea e se deposita em dois pontos principais do corpo: o cérebro, onde se une às proteínas, e, os ossos, onde ocupa os espaços do cálcio. O consumo freqüente aumenta o acúmulo, o que começa a provocar distúrbios;
– No cérebro, o alumínio causa encefalopatia, uma alteração que acaba em demência e pode agravar o Mal de Alzheimer (quadro demencial);
– Nos ossos, provoca osteomalácia, uma espécie de enfraquecimento dos ossos;
Fonte: Zero Hora