DNA permite separação entre maconha e cânhamo

Há alguns anos, o Deputado Fernando Gabeira quase foi preso ao chegar ao País com vários quilos de sementes de cânhamo. Ele tentava divulgar o cultivo da planta que possui uma infinidade de usos, desde a fabricação de papel, tintas, detergentes, óleo, passando por medicamentos, até a geração de um biocombustível.

O problema é que o cânhamo é um irmão gêmeo da maconha, sendo virtualmente impossível separar um do outro. O cânhamo tem o nome científico de Cannabis ruderalis, já a maconha é chamada Cannabis sativa. O que difere as duas plantas são os níveis do composto psicótico tetrahidrocanabinol (THC), fortemente presente na maconha e virtualmente inexistente no cânhamo.

Anos antes, o estado norte-americano de Minnesota tentara fazer o mesmo trajeto do deputado, mas se deparou com o mesmo problema. Desde então, cientistas da Universidade deste estado têm trabalhado na tentativa de separar o joio do trigo, ou melhor, separar o cânhamo da sua irmã-gêmea maconha.

Agora, parece que, finalmente, eles tiveram êxito. A equipe do Dr. George Weiblen utilizou uma técnica para identificação do DNA, chamada AFLP (“Amplified Fragment Length Polymorphism”, ou Polimorfismo de Comprimento de Fragmento Amplificado), que separa as duas plantas sem margens de dúvidas.

Já era possível identificar o THC quimicamente, mas a droga não aparece em todos os tecidos da planta e nem durante todo o seu ciclo de vida. Outro método genético já conhecido, o STR (“Short Tandem Repeats” ou Repetições Curtas em Série), atualmente utilizado para a verificação de paternidade em humanos, não é eficaz na separação das duas variedades de Cannabis, mostrando resultados tanto falso-negativos, quanto falso-positivos.

“Nós acreditamos que esta técnica tem o potencial para distinguir também as variedades da maconha,” disse Weiblen. “Isso tem implicações não apenas para separar o cânhamo da maconha em países onde o cultivo do cânhamo é permitido, mas também na identificação da origem de drogas apreendidas”.

Cientes de que mesmo a sua técnica poderá ainda não ser o suficiente para a adoção generalizado do cultivo do promissor cânhamo, os cientistas agora querem mapear todo o genoma da planta. Sua intenção é criar cultivares de cânhamo que mantenham suas incríveis propriedades, mas que não se pareça visualmente com a maconha.
Fonte: Inovação Tecnológica