Mais rigor na venda da cola de sapateiro

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa quer reduzir a quantidade de jovens em situação de risco que consomem como droga a cola de sapateiro, o tíner e outros solventes e adesivos (colas de diversos tipos). Para isso, a partir do dia 15/06, todos os fabricantes e comerciantes de substâncias inalantes e solventes terão de seguir critérios mais rígidos na hora da venda. A principal exigência será o cadastro de todos que adquirirem os produtos. No entanto, os corretivos de papel formulados a base de álcool têm um destaque especial. Eles terão de ser recolhidos do mercado a partir do dia que a resolução vigorar. Nas prateleiras, apenas os feitos à base de água.

Estas novas determinações foram baseadas na Resolução 345, publicada em 15/12/2006 pela Anvisa. Além das já citadas novas regras, os fabricantes de produtos como tíner e cola de sapateiro ainda terão que produzir embalagens com avisos de que é proibida a comercialização para menores de 18 anos. Isso principalmente porque a Gerência Geral de Inspeção do órgão identificou que a venda de tíner, cola de sapateiro, adesivos e corretivos de papel estão sendo feitos de maneira inadequada. O descumprimento dessas normas configura infração à legislação sanitária federal, prevista na Lei 6437/77.

De acordo com Aloísio Lima Júnior, Diretor Administrativo da loja de tintas Pisolar, que há mais de 30 anos comercializa esses tipos de produtos, a empresa naturalmente toma medidas de precaução na hora da venda. “Há um controle interno rigoroso. Não vendemos sprays, solventes, entre outros produtos, a menores de 21 anos. Já para maiores com características suspeitas, ou que desconfiamos da freqüência na aquisição do produto, nós pedimos a carteira de trabalho para saber se a rotina constante de aquisição é justificável”, explica. Quanto à exigência de cadastro, o diretor considera a determinação complicada. “Nosso sistema é de pague e leve. O fluxo de pessoas é muito alto e o uso dos produtos é bem diversificado. Nosso sistema interno já é bem reforçado. Materiais em embalagens pequenas até ficam em armários de vidro para evitar o contato. Será difícil”, acrescenta Aloísio Lima.

O representante da Indústria Química do Nordeste – Iquine em Sergipe, José Andrade Góis, que há 15 anos atua no Estado, diz acreditar e apoiar todos os tipos de iniciativas para a melhoria das condições de vida. No entanto, ele considera a resolução apenas um paliativo. “Acho que se deve coibir o máximo possível para diminuir o consumo indevido dos produtos, mas acho que não vai resolver muita coisa. Não há como garantir que esse produto, mesmo assim, não vá chegar às mãos dos jovens. Ainda tem o fato de que quando se chama muita atenção para o assunto, ou quando algo se torna mais proibido, eles se sentem ainda mais atraídos”, comenta.

Dependência

O que mais atrai os jovens para os solventes é o poder que eles têm de produzir alucinações, tanto visuais, quanto auditivas. Como a maioria das pessoas que procuram por esse produto para fins de aplacar a dependência não tem condições de comprar as latas de solvente e cola, devido á pouca idade, eles pedem a pessoas mais velhas que façam por eles. Os preços dos produtos variam, hoje, em torno de R$ 5,43 a R$ 6,76, o solvente, e R$ 10,36 e R$ 12, 59, a chamada cola de sapateiro. Para conseguir o dinheiro muitos chegam a práticas ilícitas. É esse processo o que mais dificulta o trabalho dos comerciantes.

As conseqüências da ingestão indevida do produto para os jovens são diversas. A principal é a depressão do cérebro. Com isso, a pessoa fica confusa e desorientada, a voz se torna pastosa, a visão fica embaçada e a cabeça começa a doer. A palidez também é acentuada. Essa depressão tende a piorar se a pessoa continuar inalando o solvente, o que pode causar sonolência intensa, falta de coordenação motora e até mesmo convulsões. Em caso de intoxicação mais severa, o solvente leva ao coma e à morte.
Fonte: Jornal da Cidade.net