Pesquisa mostra risco de drogas para déficit de atenção

Segundo a estimativa do Governo dos Estados Unidos, problemas com as drogas estimulantes levam cerca de 3.100 pessoas aos hospitais a cada ano.

Overdoses acidentais e efeitos colaterais dos medicamentos contra o déficit de atenção provavelmente mandaram uma série de crianças e adultos ao pronto-socorro, de acordo com as primeiras estimativas do problema nos Estados Unidos.

Cientistas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças – CDC (sigla no inglês) dos Estados Unidos estimaram que problemas com as drogas estimulantes levam cerca de 3.100 pessoas aos hospitais a cada ano. Aproximadamente dois terços – overdoses e usos acidentais – poderiam ter sido evitados pelos pais, guardando os medicamentos longe do alcance, de acordo com os pesquisadores.

Outros pacientes tiveram efeitos colaterais, incluindo potenciais problemas cardíacos como dor no peito, derrame, hipertensão e altos índices de batimento cardíaco.

As preocupações com esses efeitos levaram alguns médicos a pedir que a Administração de Alimentos e Medicamentos – FDA (sigla no inglês) exija a tarja preta, seu alerta mais sério, nas caixas de medicamentos como Ritalin, Concerta e Adderall. Mesmo com o aconselhamento dos médicos, a FDA não concorda que isso seja justificável.

A questão foi discutida em uma série de cartas na edição de quinta do Jornal de Medicina da Nova Inglaterra, incluindo algumas de médicos preocupados com os perigos de não tratar o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade – ADHD.

“Os números (de efeitos colaterais) são insignificantes comparados aos números de prescrições de estimulantes por ano”, disse Tolga Taneli, psiquiatra de crianças e adolescentes da Universidade de Medicina e Odontologia de New Jersey. “Não estou alarmada”.

A estimativa é de que 3,3 milhões de americanos, com 19 anos ou menos, e cerca de 1,5 milhões de pessoas com 20 anos ou mais estejam tomando remédios para o ADHD.

Vinte e cinco mortes ligadas aos remédios para o ADHD, 19 envolvendo crianças, foram reportadas à FDA entre 1999 e 2003. Cinqüenta e quatro outros casos de sérios problemas do coração, incluindo ataques cardíacos e derrames, também foram registrados. Alguns dos pacientes tinham um histórico de problemas cardíacos.

Ainda assim, não há uma estimativa exata do alcance dos efeitos colaterais. O relatório do CDC, mesmo não sendo um estudo científico rigoroso, tenta provar isso usando uma nova rede de vigilância hospitalar.

De agosto de 2003 a dezembro de 2005, os pesquisadores apuraram 188 visitas a prontos-socorros por problemas com os medicamentos nos 64 hospitais da rede, uma amostra representativa dos prontos-socorros monitorada para apontar os efeitos colaterais dos remédios.

Os médicos ligaram o uso de drogas contra o déficit de atenção e hiperatividade em 73 pacientes com efeitos colaterais ou reações alérgicas. Outras 115 ingeriram acidentalmente medicamentos para ADHD, incluindo uma criança de um mês, ou tomaram uma dose muito alta.

Além de problemas cardíacos, os sintomas comuns incluíam dores abdominais, alergias e espasmos, fraqueza e dor muscular, de acordo com Adam Cohen, epidemiologista do CDC. Nenhum paciente morreu.

Em fevereiro deste ano, um comitê consultivo de segurança de medicamentos da FDA votou 8-7 pela tarja preta. No mês seguinte, outro comitê recomendou, ao invés disso, que os dados sobre os riscos fossem em uma nova seção de destaque que a agência pretende incluir no topo das bulas de remédio.
Fonte: Estadão