Cigarro está ligado a doenças psicológicas

Um estudo feito no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo comprova que além de causar malefícios ao corpo, o cigarro tem a capacidade de afetar também a saúde mental dos indivíduos.

A pesquisa foi feita com base em 70 artigos médicos do centro de dados internacional Medline, um serviço da Livraria Nacional de Medicina dos Estados Unidos. A principal conclusão do estudo é que a incidência de doenças mentais é mais evidente nos fumantes do que no restante da população.

Nos consultórios, os profissionais de psicologia e psiquiatria também já percebem esse fenômeno. “A cada ano constatamos o aumento da incidência na relação entre tabagismo e transtornos psíquicos como a depressão, síndrome do pânico, esquizofrenia e distúrbios de ansiedade”, diz a psicóloga de Francisco Beltrão, Dirciane Martini.

O estudo feito em São Paulo destaca que o fato das doenças psicológicas estarem associadas ao cigarro revela uma via de mão dupla. Em primeiro lugar, indica que o tabagismo predispõe o indivíduo a algumas doenças psiquiátricas. Por outro lado, os indivíduos que já apresentam doenças mentais fumam muito mais do que outros fumantes que não sofrem nenhum tipo de desvio psiquiátrico.

Dirciane explica que o tabagismo é uma dependência intimamente relacionada aos aspectos negativos da afetividade da pessoa. O uso do cigarro é uma maneira (pouco eficaz e muito prejudicial) que a pessoa encontra para lidar com a tensão, a irritabilidade, a instabilidade de humor e sintomas depressivos em geral. Conforme a pesquisa da USP, essas pessoas ficam mais dependentes da nicotina. Nesse caso o cigarro tem um efeito calmante e serve para aliviar a ansiedade, ou seja, o cigarro acaba criando um círculo vicioso em que a pessoa com problemas psicológicos fuma para se livrar dos seus sintomas, mas acaba criando mais sintomas ainda.

Além do tabagismo estar ligado a aspectos afetivos, existe uma questão química que interfere no psicológico do fumante. “Tanto o uso quanto a abstinência da nicotina interfere nos sistemas de neurotransmissão envolvidas em transtornos psiquiátricos”, detalha Dirciane.
Fonte: Jornal de Beltrão