Um em cada quatro estudantes já experimentou alguma droga

Dia 26 de junho é o Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico de Drogas. Segundo pesquisa do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), feita em 1997 com mais de 15 mil estudantes do ensino fundamental e médio de dez capitais brasileiras, 25% deles já experimentaram alguma droga. Ou seja, um em cada quatro experimentou algum tipo de droga ao menos uma vez. Outra pesquisa mais recente do Cebrid mostrou que 52,2% dos meninos entre 12 e 17 anos e 44,7% das meninas já consumiram álcool pelo menos uma vez na vida.

O álcool é uma das drogas mais conhecidas. Mas a relação é enorme: entre outras, temos ácido lisérgico (LSD), anabolizante, anfetaminas, cigarro, cocaína, cola de sapateiro, crack, ecstasy, efedrina, gás hilariante (Poppers), GHB (Gamahidroxibutirato), ice, inalantes, maconha, quetamina (Special-k). E enquanto você lê este texto, outras estão sendo inventadas e logo vão estar se espalhando pelo mundo.

A escalada das drogas no Brasil vem de há muito. Em 2002, o Centro de Recuperação Nova Esperança (Cerene), de São Paulo, SP, divulgou que, antes dos sete anos, 4% das crianças têm o primeiro contato com álcool, sendo que 6,38% já experimentaram drogas. Na década passada, o contato inicial com o álcool era aos 14 anos (Época, 30/12/2002). E a situação só piorou: “As crianças (já) integram os cadastros das clínicas de apoio a dependentes químicos” (Jornal do Commércio, 7/4/2002); “Cerca de 20% dos participantes de reuniões dos Alcoólicos Anônimos são jovens” (Jornal do Brasil, 30/4/2002).

Em junho de 2002, o Cebrid divulgou resultados do primeiro levantamento domiciliar sobre entorpecentes no País: “19,4% da população já experimentaram uma dessas drogas, o que corresponde a mais de nove milhões de pessoas em todo Brasil. (à) 11,2% da população brasileira são dependentes de álcool; 9%, de tabaco; e 1%, de maconha. A droga traz, além das conseqüências óbvias para a saúde física e psicológica do usuário, implicações sociais como o fortalecimento do narcotráfico” (Rets – Revista do Terceiro Setor, 21/6/2002).

O problema não é só do Brasil. O Centro de Controle de Doenças dos Institutos Nacionais de Saúde de Atlanta, EUA, revelou que apesar da idade legal para o americano beber ser 21 anos, lá 79% dos estudantes do ensino médio já experimentaram bebidas alcoólicas pelo menos uma vez e um quarto deles usa drogas com freqüência (Folhateen/Folha de S.Paulo, 1/3/2004). Os adolescentes respondem por 25% de todo o álcool consumido nos EUA.

Em janeiro de 2006, foi divulgada uma pesquisa realizada nos EUA pela Universidade de Connecticut indicando que a propaganda de bebidas alcoólicas faz os adolescentes beberem mais. Segundo o estudo, que ouviu jovens entre 15 e 26 anos, cada anúncio aumenta em 1% o número de unidades de bebida consumidas.

Como o álcool é uma das drogas de mais fácil acesso, é importante saber que ele pode ser controlado, o que contribui para diminuir a violência. Em outubro de 2004, o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Unifesp, e o pesquisador norte-americano Robert Reynolds, do Pacific Institute for Research and Evaluation (PIRE), voltado para a avaliação de políticas públicas, apresentaram na capital paulista os resultados de estudo sobre a relação entre o consumo de álcool e violência na cidade de Diadema, na Grande São Paulo, que a partir de fevereiro de 2004 proibiu a venda de bebidas alcoólicas após as 23h.

Alguns dados comparativos do número de homicídios em Diadema (SP) desde a data da implantação da “lei seca” revelaram que houve diminuição da violência contra a mulher (36,54%); homicídios (23,6%) e casos de atendimento em pronto-socorros (67,68%). Desde 2002, a Unidade de Pesquisa em Álcool e Outras Drogas (Uniad) da Unifesp é colaboradora do PIRE, que trabalha em parceria com líderes comunitários, administradores e políticos de todas as partes do mundo, na prevenção de danos e mortes relacionadas ao álcool.

Os resultados foram classificados como bastante animadores, pois sinalizam o início de uma compreensão integral de que o álcool não é uma substância qualquer, mas uma droga que traz sérias conseqüências e custos para a sociedade. Também destacam a importância da pesquisa como rara oportunidade para entender o problema do álcool nos países em desenvolvimento.

Entendo perfeitamente que o álcool em si, e quando tomado com moderação, pode até ser benéfico para a saúde, além de ser legítimo como um dos meios para se “bememorar”. O problema é que não sabemos nos controlar. Quanto às outras drogas, não vejo no que elas podem ser úteis, a não ser algumas, em casos muito especiais e sob rigoroso controle médico. Datas como este Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico de Drogas mereciam que tomássemos um porre de consciência.
Fonte:O Povo