Venezuela diz buscar novo acordo antidrogas com Estados Unidos

A Venezuela afirmou nesta segunda-feira,26/06, que espera assinar um novo acordo antidrogas com os Estados Unidos em julho, quase um ano depois que o Presidente Hugo Chávez suspendeu a cooperação com os agentes americanos, acusando-os de espionagem.

A resolução sobre a cooperação da Venezuela contra drogas ilegais ocorre apesar das relações difíceis entre Caracas e Washington, que acusa Chávez de ameaçar a estabilidade regional com sua revolução socialista para os pobres e com sua aliança com Cuba.

Um novo acordo, se for fechado, será um raro sinal de parceria em uma relação cada vez mais complicada.

Em agosto, Chávez suspendeu a parceria com a DEA, órgão norte-americano de combate às drogas. Washington revogou os vistos de três autoridades venezuelanas suspeitas de tráfico de drogas e disse que Caracas era um fracasso na guerra antidrogas.

Autoridades venezuelanas querem que o novo acordo restrinja a atuação de agentes americanos no país, mas garanta a troca de informações, tecnologia e treinamento.

“As áreas onde havia diferenças entre os governos dos EUA e da Venezuela foram resolvidas” disse o Chefe Antidrogas da Venezuela Luis Correa a repórteres.

Ele afirmou que o acordo revisado poderá ser assinado na primeira semana de julho, embora tenha sido postergado por meses.

Uma autoridade da embaixada americana em Caracas disse que o acordo “estava sendo costurado”, apesar do longo atraso.

A Venezuela, o quinto maior exportador de petróleo do mundo, é uma rota de trânsito de cocaína ilegal vinda da vizinha Colômbia, o maior produtor mundial, rumo aos EUA e à Europa, via ilhas do Caribe.

Especialistas em segurança dizem que a frágil fronteira com a Colômbia e sua extensa costa fazem da Venezuela uma rota ideal para os narcotraficantes.

Washington vai avaliar no final do ano se a Venezuela cooperou com os esforços antidrogas. Em 2005, o governo dos EUA disse que a Venezuela e Myanmar tinham falhado a aderir a acordos antidrogas.

Chávez, um Ex-Soldado que disse estar lutando para vencer o imperialismo americano na América Latina, classifica as críticas dos EUA como hipocrisia que não reflete o sucesso do governo em derrotar o tráfico.
Os laços entre EUA e Venezuela desceram a seu pior nível este ano, quando Chávez expulsou um adido naval americano que ele acusou de espionagem. Autoridades dos EUA responderam com a expulsão de um diplomata venezuelano que trabalhava na embaixada em Washington.
Autor: Reuters
Fonte: OBID