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Os danos do álcool no cérebro adolescente

Os adolescentes têm bebido álcool há séculos. Na América pré-revolução, jovens aprendizes eram presenteados com grandes baldes de cerveja. Nos idos de 1890, o escritor Jack London bebia regularmente, com apenas 15 anos.

Desde aquela época, adultos preocupados tentaram limitar o consumo de álcool pelos adolescentes. Em 1830, sociedades abstencionistas impunham exigências vitalícias de abstinência a crianças. Hoje em dia, especialistas de saúde alertam regularmente sobre os riscos do consumo de álcool por adolescentes e sua relação com acidentes automobilísticos, brigas e cenas vergonhosas em Cancun.

Mas o que um dia foi um debate social e moral, em breve se tornará um debate neurobiológico. O preço do alcoolismo precoce, segundo especialistas, parece se estender além do óbvio – que beber atrapalha nos deveres de casa, namoros, relacionamentos sociais e as tarefas referentes ao crescimento.

Cada vez mais pesquisas sugerem que o álcool causa mais danos ao cérebro em desenvolvimento dos adolescentes do que achávamos inicialmente, causando prejuízos bem maiores do que em cérebros adultos. As descobertas, mesmo preliminares, destruíram a concepção de que as pessoas podem beber excessivamente por anos antes de causarem danos neurológicos significativos. A pesquisa ainda sugere que beber excessivamente na adolescência pode minar as capacidades neurológicas necessárias para proteger a pessoa do alcoolismo.

A pesquisa ajuda a explicar o fato das pessoas que começam a beber muito jovens enfrentarem riscos enormes de se tornarem alcoólatras. De acordo com os resultados de uma pesquisa nacional feita com 43.093 adultos, publicada na segunda-feira nos Arquivos de Pediatria e Medicina Adolescente, 47% das pessoas que começaram a beber antes dos 14 anos se tornaram dependentes de álcool em algum ponto de suas vidas, comparados a 9% dos que esperaram até os 21 anos. A correlação existe mesmo quando a predisposição genética para o alcoolismo é levada em consideração.

A evidência mais alarmante de danos físicos causados pelo álcool vem de experimentos em laboratório, feitos no cérebro de ratos jovens sujeitos a altas doses de bebidas alcoólicas. Esses estudos mostraram danos significativos na parte anterior do cérebro e no hipocampo. Mesmo que não se tenha certeza do quão diretamente essas descobertas sejam aplicáveis aos humanos, há evidências que sugerem que jovens alcoólatras sofram deficiências parecidas.

“Não há dúvidas sobre o assunto: existem conseqüências cognitivas em longo prazo por conta do consumo excessivo de álcool na adolescência”, disse Aaron White, professor-assistente de pesquisa no departamento de psiquiatria da Universidade de Duke, e co-autor de um estudo recente sobre o alcoolismo nos campus das universidades. “Há cinco ou dez anos atrás não sabíamos que o álcool afeta de forma diferente o cérebro adolescente”, disse White. “Agora, existe um senso de urgência. É a mesma situação de quando todos descobriram que beber álcool durante a gravidez era prejudicial”.
Fonte: Último Segundo