Por quê vale a pena deixar de fumar

De acordo com o Dr. Marcelo Fernandes, Médico de Saúde Pública, “O desenvolvimento industrial aumentou o conhecimento e a possibilidade de utilização de um número cada vez maior de substâncias químicas. Atualmente, são conhecidas cerca de seis milhões de substâncias químicas, das quais aproximadamente 100 mil são de uso corrente, utilizadas em quase todas as atividades e presentes quer nas nossas casas, quer nos locais de trabalho”.

O conhecimento dos riscos inerentes à utilização de cada produto permite adaptar a melhor estratégia de prevenção, que vai desde anular o risco (substituir por outro produto), evitar o contato (através de equipamento de proteção) ou diagnosticar o mais precocemente possível qualquer alteração previsível do estado de saúde.

Existe apenas um aglomerado de produtos químicos (aproximadamente quatro mil), elaborado para consumo, legal, com interesse econômico elevado, e que acarreta consigo vários problemas de saúde, mesmo com um consumo “normal”.

Vamos falar do tabaco…

Apesar do maior conhecimento dos seus efeitos nocivos, continua a ser responsável por 13500 mortes por dia. As doenças e os efeitos relacionados com o tabaco são bem conhecidos de todos (políticos, profissionais de saúde e consumidores) e passam por: pele seca, queda de cabelo e aparecimento de rugas precocemente; cataratas e glaucoma; bronquite crônica, enfisema e aumento de seis vezes do risco de DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica); disfunção sexual; osteoporose; doença vascular periférica, arteriosclerose, aumento de duas vezes do risco de doença coronária e de cinco vezes de Enfarte Agudo do Miocárdio – EAM; Acidente Vascular Cerebral – AVC. O tabaco concorre ainda para o aumento de duas vezes do risco de desenvolver câncer de boca, faringe, laringe, traquéia, pulmão (neste caso aumento de dez vezes), estômago, colo do útero, pâncreas, bexiga e rim.

O risco de desenvolvimento destas patologias aumenta com a carga tabágica. Esta é calculada em Unidade Maço Ano – UMA, sendo que uma unidade equivale a fumar um maço (20 cigarros) por dia, durante um ano. Por exemplo, quem fuma dois maços de cigarros durante um período de quinze anos terá uma carga tabágica de 30 UMA. O risco aumenta consideravelmente a partir de 10 UMA.

Apesar dos interesses econômicos que ainda sustentam a indústria do tabaco vale a pena reter estas idéias:

• Todas as pessoas conseguem deixar de fumar, por mais dependentes que sejam, desde que estejam motivadas para tal, existindo terapêutica de substituição com pastilhas, adesivos, inaladores e outros fármacos e consultas médicas de acompanhamento;

• Vale a pena tentar porque volta a ter uma respiração normal, o sabor e o cheiro da comida, o fim da dependência e do cheiro a tabaco, o prazer de ter uma saúde melhor, de contribuir para uma boa atmosfera, não prejudicar a saúde dos outros (principalmente das crianças) e o dinheiro que poupa para gastar em algo que lhe dê prazer.
Fonte: Site Médicos de Portugal