O uso de energéticos e álcool misturados na bebida

A ingestão combinada de álcool e bebidas energéticas é recente e está se tornando popular por reduzir a sonolência e aumentar a sensação de prazer, segundo contam os consumidores desses drinques.

Estudo realizado em São Paulo e publicado pela revista americana Alcoholism: Clinical and Experimental Research em abril de 2006, teve como objetivo avaliar os efeitos da ingestão concomitante de uma bebida alcoólica, a vodka (37.5% de álcool), e uma bebida energética, Red Bull (3.57ml/kg), sugerindo que os efeitos do energético potencializam os efeitos excitatórios e/ ou reduzem os efeitos depressivos do álcool.

Artigos anteriores demonstraram interações farmacológicas entre o álcool e os componentes das bebidas energéticas, tais como a cafeína e a taurina (aminoácido), influenciando no metabolismo alcoólico e nos sintomas de intoxicação pelo mesmo. No experimento foi utilizada uma amostra de 26 voluntários com idades entre 20 e 29 anos, do sexo masculino, que não apresentaram alterações nos exames laboratoriais e clínicos e que não possuíam histórico de doenças psiquiátricas.

Os voluntários foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos que receberam 0.6 e 1.0 g/kg de álcool, respectivamente. Completaram três sessões experimentais – ao acaso – em sete dias e com combinações diferentes das bebidas: álcool sozinho, bebida energética sozinha, ou álcool e bebida energética. Foram avaliados a concentração de álcool no hálito dos voluntários, as sensações subjetivas da intoxicação, os efeitos na coordenação motora objetiva e o tempo de reação visual. Antes das sessões, que ocorriam no começo da tarde, os voluntários faziam uma refeição de 1.000 calorias e no final faziam um lanche e voltavam para casa de táxi.

A pesquisa concluiu que a ingestão de álcool combinada com o energético reduziu significativamente as sensações subjetivas da intoxicação alcoólica – dor de cabeça, fraqueza, boca seca e comprometimento da coordenação motora – quando comparada com a ingestão de álcool sozinho. Entretanto, a ingestão da bebida energética não reduziu significativamente os déficits causados pelo álcool sobre a coordenação motora objetiva e sobre o tempo de reação visual. Também não alterou a concentração do álcool no hálito dos voluntários nos dois grupos.

Texto elaborado pelo OBID a partir do original publicado pela revista Alcoholism: Clinical and Experimental Research, abr. 2006, vol. 30, n.º 4, p. 598 – 605. ISSN 0145-6008.
Autor: Sionaldo Eduardo Ferreira, Marco Túlio de Mello, Sabine Pompéia e Maria Lúcia de Souza-Formigoni.
Fonte: OBID