Cigarro dificulta a cicatrização em cirurgias plásticas

Uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde, no final de abril, aponta que no Brasil, as mulheres estão fumando cada vez mais cedo. De acordo com os dados da pesquisa, geralmente elas começam aos 12 anos de idade (já entre os homens, o hábito tem início entre 15 e 17 anos). O grande problema é que, nas mulheres, o fumo traz conseqüências mais marcantes do que nos homens. Uma delas é o envelhecimento precoce. No caso das gestantes, os males podem atingir o bebê e causar problemas como aceleração dos batimentos cardíacos, morte súbita, aborto e diminuição do peso.

O cirurgião plástico Lecy Marcondes Cabral alerta que “pacientes fumantes tem muito mais chances de enfrentar adversidades após a realização da cirurgia plástica do que pacientes não fumantes. O cigarro pode desencadear problemas como má cicatrização, necrose da extremidade da pele descolada durante a cirurgia ou ainda provocar outras intercorrências referentes à anestesia, trombose e embolias”.

O médico esclarece que estas dificuldades ocorrem porque a vasoconstrição apresentada pelo paciente fumante diminui o fluxo de sangue pelos vasos, afetando o suprimento de oxigênio aos tecidos, “o que pode provocar necrose do tecido na sua extremidade”, diz Lecy Marcondes Cabral. A inalação da fumaça do cigarro também prejudica as células formadoras de colágeno – os fibroblastos – fundamentais para a cicatrização.

Além de inibir a formação dos fibroblastos, o cigarro aumenta as chances de uma cicatriz hipertrófica e até queloideana. “O quelóide é uma espécie de tumor de cicatriz, ocorre quando há excesso da produção de fibras colágenas, o que dá aquele aspecto volumoso e endurecido, muitas vezes doloroso”, explica Cabral.

“Para quem é fumante e deseja se submeter a uma cirurgia plástica, o ideal é programar a cirurgia com antecedência e suspender o fumo pelo menos um mês antes”, recomenda Cabral, que também é membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Além de aumentar as possibilidades da cicatrização ser bem sucedida, o próprio paciente vai se beneficiar com o período forçado de abstinência.
Fonte: INCA