O uso de drogas por grávidas adolescentes e a prevalência de transtornos psiquiátricos

Fatores econômicos, educacionais e comportamentais contribuem para o aparecimento de doenças psiquiátricas e para o uso indevido de drogas. O uso de cocaína e maconha por adolescentes grávidas está em evidência por causar danos ao feto e a mãe. Analogamente, os transtornos psiquiátricos nessa população estão crescendo vertiginosamente podendo causar danos psicossociais ao recém-nascido.

Artigo publicado pela Revista Brasileira de Psiquiatria em junho de 2006 identificou em adolescentes de baixa renda, a prevalência do uso de drogas (cocaína e maconha) no terceiro trimestre de gravidez, transtornos psiquiátricos durante a gestação e descreveu suas condições sociodemográficas.

Participaram do estudo 1.000 adolescentes grávidas, com idades entre 11 e 19 anos examinadas no centro obstétrico do Hospital Maternidade Mario de Moraes Altenfelder Silva em São Paulo no período de 24 de julho de 2001 a 27 de novembro de 2002.

As voluntárias foram avaliadas por meio da Entrevista Diagnóstica Internacional Composta – CIDI (sigla em Inglês) e de um questionário sociodemográfico e socioeconômico. Foi feita coleta de fios de cabelo para detecção do consumo de cocaína e maconha nos últimos três meses de gestação. Essas drogas foram escolhidas por serem detectadas na análise capilar.

Segundo os pesquisadores, das 1.000 pacientes entrevistadas, 53,6% têm baixa renda, 60,2% abandonaram a escola, 90,4% estão desempregadas e 92,5% são financeiramente dependentes. De acordo com a análise capilar, 6% usaram drogas durante o terceiro trimestre da gravidez (maconha: 4%, cocaína: 1,7%, ambos: 0,3%) e por meio do CIDI, 27,6% tiveram ao menos um transtorno psiquiátrico (depressão 12,9%, transtorno de estresse pós-traumático 10,0% e ansiedade 5,6%).

Os pesquisadores afirmam que existe uma correlação entre a prevalência do uso de maconha e cocaína durante o terceiro trimestre e de desordens psiquiátricas durante toda a gravidez. Eles afirmam também que fatores como famílias desestruturadas, evasão escolar, desemprego e baixa capacitação profissional contribuem para o aparecimento e manutenção dessas condições. A pesquisa sugere a implantação e execução de políticas públicas preventivas a fim reduzir comportamentos de risco e a inclusão desse fenômeno nos programas de saúde pública.

Texto elaborado pelo OBID a partir do original publicado pela Revista Brasileira de Psiquiatria, jun. 2006, vol. 28, n.º 2, p. 122 – 125. Editado pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. ISSN 1516-4446.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462006000200009&lng=pt&nrm=iso
Autor: Sandro Sendin Mitsuhiro, Elisa Chalem, Marina Moraes Barros, Ruth Guinsburg e Ronaldo Laranjeira.
Fonte: OBID