Juventude atordoada

O alcoolismo é um problema de saúde pública. Dados de uma pesquisa realizada pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas – Cebrid e pela Secretária Nacional Antidrogas – Senad, revelam que 68,75% dos brasileiros já fizeram ou fazem uso do álcool. E é nas regiões Norte e Nordeste que existe a maior prevalência de alcoolismo: o número ultrapassa os 16% da população. Sabe-se também que 5,2% dos adolescentes brasileiros com idade entre 12 e 17 anos sofrem de dependência alcóolica.

Esses dados foram apresentados na quinta-feira, na Fundação Luís Eduardo Magalhães (Centro Administrativo), durante o Seminário sobre Uso Indevido do Álcool. O evento reuniu representantes das secretarias estaduais de Justiça e Direitos Humanos, Segurança Pública, Saúde, Educação, além da Secretaria do Trabalho, Ação Social e Esportes.

O evento, aberto pelo Secretário de Justiça, Sérgio Ferreira – que também é presidente do Conselho Estadual de Entorpecentes – Conen/BA -, apresentou uma das principais ações promovidas pelo órgão: o Observatório sobre Drogas, uma central virtual de informações sobre substâncias psicoativas. Segundo o Psiquiatra e especialista em dependência química, Esdras Cabus Moreira, do Centro de Estudos e Tratamento do Abuso de Drogas – Cetad, o observatório funcionará como um centro de triagem, sistematização e análise sobre o uso do álcool e outras drogas na Bahia. Além disso, vai disponibilizar um endereço eletrônico com produções do Cetad e um boletim informativo bimestral. Ambos trarão material contendo informações, cursos e novidades da área.

“O objetivo é também estabelecer vínculos com cidades do interior e ter acesso a esses dados, para guiar políticas públicas”, explica Esdras Moreira. Outra medida citada por Moreira são as investigações sobre a prevalência do uso de cada tipo de droga. O observatório funciona no Cetad e tem um convênio com a Secretaria de Justiça, que financia a contratação de pessoal. Neste momento, buscam novas parcerias para a contratação de mais funcionários e aquisição de equipamentos. Hoje, no Brasil, o único programa desta natureza é o Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas – OBID.

Também foi apresentado durante o evento o relatório anual do Conen na Bahia, que visa sistematizar as informações sobre o uso do álcool e outras drogas no Estado. Segundo Sérgio Ferreira, o governo está predisposto a resolver definitivamente o problema. “O estado da Bahia mostra, com encontros como este, que discutiremos juntos estratégias a serem colocadas em prática a curto, médio e longo prazo”, destacou. A superintendente de educação básica da Secretaria Estadual de Educação, Eliana Barreto, relatou os programas desenvolvidos pelo órgão, como o “Escola que Faz”, Presente garantindo o futuro, numa parceria com o Ministério Público, e na Escola Aberta. Este último visa desenvolver ações complementares ao currículo no turno oposto das aulas, com classes de informática e demais ações de prevenção.

“O objetivo é que o jovem permaneça na escola e evite a influência negativa para o uso das drogas. Há participação da comunidade, com atividades de dança, teatro, palestras sobre prevenção”, relata. Para ele, o que se percebe às vezes é a insegurança dos funcionários das escolas em tratar com as crianças sobre o assunto. Com base nisso, o estado capacitou em 2004 cerca de oito mil professores de toda a Bahia para aprenderem a lidar com o tema nas unidades de ensino. Barreto citou ainda outros instrumentos do governo para a prevenção, como o Decreto 5.4499, de 22/07/2006, que estabelece a Semana Estadual de Drogas. E o Decreto 9.820 deste ano, que proíbe a publicidade de bebida alcoólica dentro de todas as instituições geridas pelo Estado, entre elas as escolas.
Fonte: Correio da Bahia