Álcool e tabaco são as drogas mais utilizadas por universitários

O uso de substâncias psicotrópicas tem sido objeto de uma série de estudos brasileiros devido a crescente preocupação com os hábitos de consumo de drogas lícitas e ilícitas e seus impactos sociais, econômicos e, sobretudo, suas implicações na saúde da população. Nesse sentido, pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas – UFAM – realizaram estudo com universitários dos cursos de Farmácia, Medicina e Odontologia da Faculdade de Ciências da Saúde da UFAM, entre 2002 e 2004, com o objetivo de fazer uma descrição das características sócio-demográficas; sexo, idade e faixa etária; nível sócio-econômico; uso das drogas psicotrópicas lícitas e ilícitas, além do consumo e principais causas relacionadas a ele.

De acordo com artigo publicado na edição de março do Caderno de Saúde Pública, “o destaque para os profissionais de saúde deve-se, por um lado, à sua responsabilidade na identificação e encaminhamento de pacientes com problemas relacionados ao uso de substâncias psicotrópicas e, por outro, ao fato de servirem como modelo para seus pacientes. Além disso, o fácil acesso e a fácil convivência com muitas dessas substâncias, aliados às condições de trabalho estressantes, podem tornar esse grupo mais vulnerável ao abuso”. Ao todo, 521 universitários foram submetidos a um questionário. Dos alunos pesquisados, a maior representação foi de solteiros, do sexo feminino, com idade entre 19 e 21 anos, sem trabalho remunerado e com nível sócio-econômico A.

A análise dos questionários mostrou que 87,7% dos estudantes ingeriram álcool pelo menos uma vez na vida e que 30,7% fizeram utilização de tabaco, sendo maior nos alunos do sexo masculino. Entre as drogas psicotrópicas ilegais, as mais “usadas na vida” foram os solventes, com 11,9%, a maconha (9,4%), os anfetamínicos (9,2%), a cocaína (2,1%) e os alucinógenos (1,2%). Além disso, 2,1% dos estudantes pesquisados citaram o uso de esteróides anabolizantes. As faixas etárias com as maiores proporções de uso inicial da droga foram de 16 a 18 anos para álcool e tabaco, acima de 18 anos para ansiolíticos, solventes, anfetamínicos e cocaína, e, para a maconha, a proporção foi dividida entre as duas faixas.

Os pesquisadores observaram também que a proporção de “uso na vida” de tabaco foi maior entre os estudantes que conviviam com outros fumantes na família do que entre os que não conviviam. O mesmo ocorreu em relação ao uso de álcool, que foi maior entre os que convivem com bebedores. A curiosidade foi o principal motivo que levou os universitários a fazerem uso das drogas psicotrópicas. Outro dado importante é o de que a maior parte dos estudantes tinha noção dos danos que o álcool e as outras drogas causam ao organismo.

Segundo os especialistas, sendo o álcool e o tabaco as drogas de uso mais difundido na sociedade, não surpreende a alta prevalência de seu uso pelos estudantes, embora estes, paradoxalmente, estejam conscientes dos seus efeitos prejudiciais. “Esses estudantes se enquadram em um grupo que se sente protegido dos efeitos das drogas por possuírem conhecimento científico sobre as mesmas, revelando a necessidade de uma maior abordagem curricular sobre as conseqüências do uso dessas substâncias”, explicam no artigo.
Fonte: Agência Notisa