Pílula contra o alcoolismo

Até pouco tempo atrás importado dos EUA, o medicamento que diminui a vontade de beber já começou a ser fabricado no Brasil. A caixa com 30 comprimidos do Revia chega às fármacias por R$ 233,83 — antes, custava R$ 500. O cloridrato de naltrexona, princípio ativo do remédio, bloqueia a liberação de substâncias como dopamina e betaendorfina, e, conseqüentemente, inibe a sensação de prazer provocada pela ingestão do álcool.

“Comecei a receitar esse remédio aos meus pacientes há cinco anos e obtive bons resultados. Todos dizem que ficou mais fácil deixar de beber com a ajuda do remédio”, diz a psiquiatra Analice Gigliotti, chefe do setor de dependência química da Santa Casa da Misericórdia.

O Revia foi liberado pelo FDA, órgão que regula remédios e alimentos nos EUA, em 1997. Na época de seu lançamento, a Universidade de Yale testou o medicamento em 104 dependentes de álcool, que já participavam de grupos de apoio e tratamentos psiquiátricos. Dos pacientes que tomaram Revia, 77% largaram a bebida.

“O remédio não causa dependência nem tolerância. Ou seja, ninguém corre o risco de trocar o efeito do álcool pelo do remédio ou aumentar a dosagem para ele fazer efeito. A dosagem diária é de 50 mg”, destaca Fabiana Benites, gerente-médica do laboratório Cristália, responsável pela fabricação do Revia no Brasil.

Segundo Fabiana, os efeitos colaterais mais freqüentes do remédio são náuseas e dor de cabeça, registrados em 2% a 10% dos casos. “O produto só não é recomendado para pacientes com insuficiência hepática”, ressalva.

A doméstica S., 44 anos, que faz uso do Revia há três meses, garante não ter tido qualquer efeito colateral com o remédio. Mesmo depois de iniciado o tratamento, ela não resistiu à tentação de experimentar a bebida pela última vez.

“Vontade nunca falta, né? Mas o remédio sozinho não faz efeito. Força de vontade também ajuda. Quanto ao gosto, já não é mais a mesma coisa. Perdeu completamente a graça”, garante S.
Autor:O Dia – RJ
Fonte:Agência CT