Planta estimulante sofre repressão de autoridades nos EUA

Em Nova York, os mastigadores de khat – planta usada como estimulante – a compram para se divertir ou para compartilhar em festas de casamento ou da faculdade. Algumas pessoas mastigam a planta meio-verde, meio-avermelhada, diariamente. Outros a usam só aos finais de semana. Apesar de ser legal em alguns países europeus, a planta é classificada como substância controlada nos Estados Unidos, a mesma categoria de drogas como a heroína e a maconha.

A planta, que é mastigada por pessoas desde a Tanzânia até o Iêmen, ficou mais conhecida para os americanos durante a intervenção militar na Somália, em 1992. “Em reuniões sociais, é normal encontrá-la”, disse Abdul Mubarez, 45, Presidente da Associação Iemenita-Americana, com base no Brooklyn. “É uma questão cultural, e não de dependência”.

Mas a khat é ilegal dentro dos Estados Unidos, e uma represália feita pelo governo federal e por promotores de justiça da cidade de Nova York transformou o consumo de fácil acesso em uma atividade arriscada, dizem alguns mastigadores.

Numa tarde recente, um grupo de homens – todos, menos um, descendentes de iemenitas – estava numa calçada em Cobble Hill, no Brooklyn, discutindo os benefícios relacionados à droga. “Algumas pessoas a mascam 7 dias por semana”, disse um homem, explicando que os trituradores freqüentes de khat não são dependentes, mas normalmente lojistas ou outro tipo de comerciantes que trabalham 12 horas por dia.

A khat, que também é associada ao vigor sexual, tem como fim fornecer energia a estes trabalhadores durante os turnos de jornada. Estudantes também acham que a planta aumenta a concentração, disseram os homens.

Na semana passada, 30 pessoas – sobre quem as autoridades disseram pertencer à maior rede de distribuição de khat do país – foram presas em Nova York e em outros pontos dos EUA. Os suspeitos foram indiciados não só por tráfico, distribuição e venda da khat, mas também por lavagem de dinheiro.

A acusação levantou temores de que a mastigação de khat, uma prática que em regiões da África oriental e da Península Arábica é considerada tão normal quanto tomar uma xícara de café, será associada ao terrorismo. “Isso costumava ser só uma atividade social. Agora, é uma questão política”, disse um iemenita

O Porta-voz do Departamento de Saúde Norte-Americano sobre Comida e Droga – FDA , John P. Gilbride, disse que os suspeitos não estavam ligados ao terrorismo ou à violência, apesar de a investigação ainda estar sob andamento. Disse também que as autoridades se focaram, antes de mais nada, na khat por ela ser considerada nociva e não ter chegado ainda nas mãos de um público “da moda”. Apesar de constituir um estimulante, a khat pode gerar efeitos colaterais, como a hipertensão, alucinações, impotência e acessos de violência, disseram os promotores públicos.

A khat foi relacionada a pelo menos um assassinato, em 2004, quando um homem matou a tiros um mulher enquanto tentava roubar a substância em uma casa em Minneapolis, disse Gilbride.
Autor: The New York Times
Fonte: OBID