Uma droga chamada cigarro

A clássica frase “O Ministério da Saúde adverte: Fumar causa diversos males à saúde” é, sem dúvida, o ponto de partida para as campanhas de conscientização no País. Os fumantes sabem dos riscos aos quais estão expostos como as lesões vasculares e a aterosclerose, mas quem tem diabetes parece não crer que o fumo potencializa as suas complicações.

O primeiro passo

O fumo é responsável pela contração dos vasos sanguíneos, o que estimula a progressão de lesões coronárias e cerebrais, retinopatia, nefropatia e, principalmente, doenças cardiovasculares, que, segundo o Ministério da Saúde, representam a primeira causa de óbitos no Brasil.

Raros são os casos de pacientes com diabetes que decidem parar de fumar depois de uma longa conversa com o seu endocrinologista. Prática nada comum, mas que deveria ser regra, o ato de parar de fumar é o ponto de partida para o trabalho de conscientização de fumantes com e sem diabetes.

Segundo o Dr. José Egídio de Oliveira, Prof. da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, e ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, o fumo faz mal a todas as pessoas. No entanto, nas pessoas com diabetes os riscos são maiores, por afetar principalmente os vasos sanguíneos daqueles que não tem um bom controle. “O fumo é considerado um dos importantes fatores dos riscos cardiovasculares, potencializando as complicações do diabetes. Hoje, quem tem diabetes se equipara a ser portador de doença cardiovascular. O uso do cigarro faz com que haja uma progressão da doença cardiovascular muito mais rápida”, afirma o especialista.

Sobre a relação entre o cigarro e a insulina, o endocrinologista diz que o fumo estimula a liberação de hormônios que podem causar a redução dos vasos sangüíneos, o que por sua vez pode aumentar a pressão arterial, sobrecarregar a função do coração e agravar a insulino-resistência. O fumo dificulta a ação da insulina na sua atividade hipoglicemiante.

Parar de fumar se faz necessário

Quem tem diabetes não pode “fumar socialmente”, é preciso que haja a consciência de que parar é a única saída. No entanto, ao decidir abandonar o cigarro, alguns cuidados especiais devem ser tomados.

“A pessoa fica mais ansiosa nessa fase e isso pode interferir diretamente no tratamento do diabetes, dificultando o controle e, conseqüentemente, o abandono do cigarro. Hoje existem condições de tratamento no sentido de aliviar esse descontrole emocional. É importante o acompanhamento dos médicos para uma monitorização da glicose mais eficiente, apoio psico-emocional e até o uso de medicamentos que favoreçam o abandono do cigarro.”, explica o endocrinologista.

Sobre a dieta nesse período, o Dr. José Egídio é enfático ao afirmar que ela é absolutamente a mesma e que a dúvida em torno da sua manutenção está no aumento da ansiedade, que leva a uma maior absorção de alimentos. “Uma das formas mais comumente utilizadas de reduzir o estresse é comer mais. Por isso, nesta fase, recomenda-se a consulta a um médico, além de rigoroso auto-controle”, ressalta.

Uma droga chamada cigarro

O cigarro é o responsável por diversas alterações no organismo humano, que na maioria passam despercebidas entre os fumantes. O fumo produz perto de quatro mil substâncias prejudiciais à saúde, aumenta a pressão e o colesterol, amarela os dentes, reduz a circulação de oxigênio no organismo, provoca rugas, queda de cabelos, enfraquece as unhas, irrita os olhos e as cordas vocais.

Ele também causa o câncer de boca, laringe, esôfago, pulmão, rins, bexiga e colo do útero, além de aumento do risco de infarto do miocárdio, derrames cerebrais e gangrenas nas extremidades.

No Brasil, de acordo com dados divulgados pela Organização Pan-Americana de Saúde – OPAS, em 2002, cerca de 200 mil óbitos por ano são decorrentes do tabagismo. Os homens apresentam-se em maior número em todas as capitais do País. A cidade de Porto Alegre – RS, concentra as maiores proporções de fumantes. Segundo o Instituto Nacional de Câncer – Inca, há 25 milhões de fumantes no Brasil acima de 15 anos (19% da população).
Fonte: A Tribuna do Mato Grosso