Cigarro em Santa Maria – RS

Os prejuízos causados à saúde pelo consumo do tabaco, são bastante conhecidos. O controle do fumo é considerado pela Organização Mundial da Saúde – OMS, como um dos maiores desafios da saúde pública no mundo atual. Estima-se que existam cerca de 1,2 bilhão de fumantes, ou seja, um terço da população mundial, com mais de 15 anos de idade, fuma. O total de mortes por cigarro, segundo o INCA, é de aproximadamente 5 milhões de pessoas por ano.

Noventa por cento dos fumantes ficam dependentes da nicotina entre os 5 e os 19 anos de idade. Atualmente, existem no Brasil 2,8 milhões de fumantes, nessa faixa etária. O uso de tabaco é bastante precoce na vida dos estudantes da rede pública de ensino, sendo que, entre os 10 e 12 anos de idade, cerca de 11,6% já fizeram, pelo menos uso experimental do cigarro, de acordo com o estudo realizado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas – CEBRID.

Cerca de 100 mil adolescentes começam a fumar por ano, 80% dos quais são de países em desenvolvimento. Neste sentido, o artigo publicado pelo Caderno de Saúde Publica buscou desenvolver um estudo de base escolar entre estudantes de ensino médio das escolas estaduais, em Santa Maria – Rio Grande do Sul. O estudo determinou a prevalência e os fatores associados ao tabagismo. Para a realização deste trabalho foram entrevistados 459 alunos da rede estadual de ensino na cidade de Santa Maria em 2002.

Com base nos dados, observou-se que os fumantes iniciaram, em média, aos 14 anos. Foi verificado que a prevalência de tabagismo, entre os estudantes, foi de 18,1%, sendo 375 (81,9%) não-fumantes, incluindo nesses 61 (13,3%) ex-fumantes. Observou-se um predomínio do sexo feminino, 277 (60,5%), sendo que a faixa etária de maior concentração foi de 14 a 19 anos, com 329 (73,8%) estudantes. A idade média encontrada foi de 19,7 anos.

A maioria deles, 213 (49,5%), apresentou renda familiar menor do que quatro salários mínimos. Em relação à ocupação profissional, constatou-se que 272 (59,5%) alunos não trabalham. Quanto à defasagem nos estudos, 288 (64,5%) responderam afirmativamente, sendo que 75 (16,8%) estavam atrasados mais de um ano, 79 (17,7%) mais de dois anos e 134 (30,0%) apresentavam, no mínimo, três anos de atraso.

Quando todos os estudantes foram questionados em relação a hábitos do tabagismo, 166 (38,2%) responderam que apenas o pai fuma, 112 (24,8%) que a mãe fuma e 231 (51,3%) que ambos fumam. Ainda, 184 (40,3%) relataram que têm vários fumantes na família. Observou-se que 314 (70,6%) estudantes têm vários amigos fumantes e 82 (23,5%) deles foram influenciados por algum amigo para começar a fumar.

São inúmeras as pesquisas feitas envolvendo o uso do tabaco e as conseqüências que este traz diretamente e indiretamente, pois cada cigarro contém 4.700 substâncias tóxicas. Os resultados deste e de outros estudos, mostram que os estudantes começam a fumar precocemente, destacando-se a necessidade de se trabalhar, em termos de prevenção intensiva, diretamente com adolescentes do grupo de risco observado.
Texto elaborado pelo OBID a partir do original publicado pelo Caderno de Saúde Publica, 2006, nº 22(8):1619-1627, ago, 2006. Editado pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2006000800010&lng=pt&nrm=iso
http://www.scielo.br/pdf/csp/v22n8/10.pdf
Autor: Zanini ,Roselaine Ruviaro; Moraes, Anaelena Bragança de; Trindade, Ana Cláudia Antunes; Riboldi, João; Medeiros, Lídia Rosi de
Fonte: OBID