Consumo de drogas e violência laboral em mulheres que trabalham do México, Peru e Brasil

Nos últimos anos a violência laboral contra a mulher vem crescendo, mas se desconhece a magnitude deste problema pela falta de sistemas de registro adequados nos países latino-americanos. Múltiplos fatores estão associados a esse fato, tais como as condições de trabalho desfavoráveis, o tipo de trabalho, o estresse, o preconceito e estigmatização da mulher, problemas econômicos, que podem desencadear o consumo de sustâncias como álcool e drogas ilícitas.

Artigo publicado pela Revista Latino-Americana de Enfermagem em abril de 2006 teve como objetivo determinar a proporção de consumo de drogas entre mulheres que trabalham, fatores de risco pessoais e laborais que possam predizer o consumo de drogas, identificar a presença de violência no trabalho e sua relação com o consumo de drogas e identificar diferenças e semelhanças no consumo de drogas e violência laboral em mulheres de três comunidades: Monterrey (México), Lima (Peru) e Rio de Janeiro (Brasil).

O estudo caracteriza-se por ser um trabalho multicêntrico, comparativo e descritivo, conduzido em três países distintos: México, Peru e Brasil. A população de estudo foi composta por 669 mulheres mexicanas, 125 peruanas e 109 brasileiras. A média de idade das participantes foi de 36 anos no México e Brasil e 34 no Peru.

A coleta de dados deu-se por meio de quatro instrumentos: uma escala sociodemográfica e laboral construída pelos autores do estudo, uma Tábua de Exame de Valoração do Consumo de Drogas e dois questionários sendo um deles sobre violência no trabalho, adaptado do questionário de Violência no Trabalho da Organização Internacional do Trabalho.

Os resultados explicitaram que o tipo de trabalho desempenhado pela amostra foi o informal (México 53.8% e Peru 68.8%, excetuando-se o Brasil com o predomínio do trabalho formal por 71.6% das participantes) e o manual. Em relação ao consumo de drogas ilícitas os resultados foram de 5% no México, 6% no Peru, e no Brasil não foi reportado consumo de drogas ilícitas na amostra. Quanto ao consumo de álcool, a proporção de consumo atual foi de 11% no México, 53% no Peru, e 45% no Brasil. A dependência de álcool foi detectada em 3.0% das mulheres mexicanas, 18.4% das peruanas e 11.0% das brasileiras. Em relação à violência laboral, 16% das mexicanas, 24% das peruanas e 39% das brasileiras já tinham sofrido alguma violência no trabalho.

Os pesquisadores recomendam que estudos desse tipo devam ser continuados, à condução de investigações, com base nos resultados do estudo em questão, sobre a prevenção e criação de programas que reduzam o consumo de álcool em mulheres que trabalham. Sugerem que os profissionais de saúde devem ter um conhecimento acurado sobre a temática violência, trabalho e uso de drogas para que seja dado um suporte educativo e preventivo visando a ampliação da visão dessas mulheres acerca de seus direitos sociais e políticos dentro de seus contextos.

Texto elaborado pelo OBID a partir do original publicado pela Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 14, nº.2, p.155-162, mar./abr. 2006. ISSN 0104-1169, editada pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692006000200002&lng=pt&nrm=iso&tlng=es
Autor: Maria Magdalena Alonso Castillo; Flor Yesenia Musayon Oblitas; Helena Maria Scherlowski Leal David; Marco Vinicio Gómez Meza.
Fonte: OBID