A importância da formação de enfermeiro no cuidado aos dependentes químicos

De acordo com a Organização Mundial da Saúde – OMS o uso de drogas é um problema que vem crescendo em termos de saúde pública nos países desenvolvidos e em desenvolvimento. É neste contexto que as escolas de enfermagem devem assumir um compromisso com o ensino na promoção da saúde, prevenção e reinserção social dos usuários de substâncias psicoativas, lidando com essas situações com segurança, conhecimento e liderança no encaminhamento das questões e nas tomadas de decisões nos diversos contextos.

A Revista Latino-Americana de Enfermagem publicou artigo em abril de 2006 com o intuito de caracterizar o preparo acadêmico, as atitudes e as crenças consolidadas durante a formação profissional, em relação ao fenômeno das drogas, de graduandos em Enfermagem de Universidades Públicas do Rio de Janeiro. O estudo foi realizado com alunos do último período acadêmico de quatro cursos de graduação em Enfermagem de quatro escolas públicas – três federais e uma estadual – do Rio de Janeiro, no período de setembro de 2003 a fevereiro de 2004. Os dados foram coletados por meio de uma escala utilizada para medir o conhecimento dos estudantes acerca do fenômeno das drogas em nível nacional e internacional e as atitudes e crenças em relações à sua formação acadêmica e às ações a serem desenvolvidas com o dependentes de álcool e drogas.

Os resultados apontaram que a formação dos alunos possui características positivas e dados contraditórios. Entre os pontos positivos destacam-se a abordagem do fenômeno das drogas nos cursos de graduação, a compreensão da importância desse conhecimento para seu exercício profissional e a incorporação do cuidado às pessoas envolvidas com substâncias psicoativas como inerente ao papel do enfermeiro.

Como pontos contraditórios foi evidenciado que apesar dos graduandos acreditarem no seu potencial para atuar junto a esses dependentes, os conteúdos ministrados nos cursos de graduação não acompanham os avanços teóricos conceituais tornando a abordagem defasada no preparo profissional. Destacou-se ainda a desarticulação entre a teoria e a prática e a centralização dos conteúdos no modelo médico, onde as pessoas envolvidas com substâncias psicoativas são evidenciadas como doentes.

Segundo os pesquisadores, o presente estudo contribui para a reflexão e discussão de conteúdos que embasam a formação do enfermeiro, referentes ao fenômeno das drogas, na divulgação e disseminação dos resultados e para que outros pesquisadores possam dar continuidade na produção do conhecimento sobre a temática.

A conclusão da pesquisa sugere que os conteúdos sobre drogas a serem apresentados nos cursos de graduação em enfermagem sejam atuais e correspondam às exigências e às necessidades da população brasileira.

Texto elaborado pelo OBID a partir do original publicado pela Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 13, nº. especial, p. 872-879, out.2005. ISSN 0104-1169, editada pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692005000700015&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt
Autor: Gertrudes Teixeira Lopes, Margarita Antonia Villar Luis.
Fonte: OBID