Risco à saúde leva sociedade a excluir cada vez mais os fumantes

Muitos fumantes não agüentam mais ouvir as advertências do Ministério da Saúde: “Fumar causa câncer de pulmão, câncer de boca, enfarte do coração, entre outros”. Mas, segundo o Pneumologista Danilo Gullo Ferreira, a tendência é que cada vez mais os fumantes se sintam excluídos pela sociedade por serem as advertências verdadeiras, e quem fica perto também corre risco.

É por isso que há alguns anos não só o comportamento das pessoas têm mudado diante dos fumantes, como também as próprias leis têm determinado algumas medidas para proteger quem não fuma. Entre elas estão as proibições de fumar em transportes coletivos, hospitais, instituições de ensino, entre outros locais que tenham ambientes fechados ou não. De acordo com Gullo, uma das mais recentes medidas é tomada por alguns restaurantes, por exemplo. “É feita até uma divisão de áreas. A específica para fumantes e a outra para não-fumantes. Esta é a realidade atual. Ninguém mais quer ser prejudicado pela fumaça alheia, o que antes não tinha problema algum”, afirmou.

Segundo o especialista, a maioria das pessoas já sabe das conseqüências que sofrem convivendo com um fumante. Ele aproveitou para salientar, no Dia de Combate ao Fumo, que ao respirar a fumaça do cigarro, o fumante passivo também está absorvendo substâncias tóxicas e cancerígenas. Por isso, esta pessoa tem 30% a mais de chances de ter câncer, e a probabilidade de sofrer um enfarte do miocárdio aumenta 24% em relação a uma pessoa que não convive com tabagistas.

Alerta

Está aí a importância de se criar ambientes exclusivos para fumantes em restaurantes e empresas, segundo Ferreira. “É essencial conscientizar os funcionários que fumam de que ninguém está contra eles. O que se faz é proteger o não-fumante do tabagismo passivo. O fumante não está sendo discriminado, nem é proibido de fumar. Ele apenas terá uma área específica para isso. O não-fumante acaba sendo protegido da poluição”, explicou.

As advertências do Ministério da Saúde sobre os malefícios do cigarro e outras leis antitabagistas podem incomodar algumas pessoas, mas já estão dando resultados. Uma pesquisa recente, encomendada pelo Instituto Nacional do Câncer – Inca, demonstrou que, entre 1989 e 2002, o percentual de fumantes no Estado do Rio de Janeiro caiu de 29,8% para 21,4%. De acordo com o Inca, tudo indica que essa é uma tendência nacional.

Postos de saúde fazem divulgação dos malefícios do tabagismo

De acordo com o Pneumologista Danilo Gullo Ferreira, que também é Coordenador de Programas e Projetos da Secretaria da Saúde de Limeira – SP, todas as Unidades Básicas de Saúde – UBSs divulgaram no dia 29/08 os malefícios do fumo. Entre as informações, estão as estatísticas de morte precoce no Brasil por ano devido ao fumo: mais de 80 mil. Segundo o especialista, quando uma pessoa traga a fumaça de um cigarro, está inalando mais de 4,7 mil substâncias tóxicas. Uma delas é o monóxido de carbono, o mesmo gás venenoso que sai do escapamento de automóveis e dificulta a oxigenação do sangue e causa doenças como a arteriosclerose. Outra é o alcatrão que, na verdade, é composto de mais de 40 substâncias comprovadamente cancerígenas.

O tabagismo pode causar tumores não apenas no pulmão, mas também na boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga e colo de útero. Mas um dos maiores vilões é mesmo a nicotina, responsável pelo prazer e pela dependência. Ela acelera a freqüência cardíaca e contribui para o surgimento de doenças cardiovasculares.
Autor: Site Gazeta de Limeira
Fonte: OBID