Efeitos colaterais dos psicofármacos na esfera sexual

Fatores como o hábito de fumar, doenças, medicações, conflitos interpessoais e crenças culturais interferem negativamente na atividade sexual humana

É cada vez mais freqüente na contemporaneidade que homens e mulheres apresentem questões ligadas à sua sexualidade tornando-se um indicador da qualidade de vida do indivíduo. Diversos estudos realizados em diferentes países indicam que as Disfunções Sexuais – DS são bastante prevalentes na população em geral. A Revista de Psiquiatria Clínica publicou em 2006 um artigo cujo intuito foi investigar os efeitos colaterais dos psicofármacos na esfera sexual. A coleta de dados foi realizada por meio da revisão da literatura concernente ao assunto.

Fatores como o hábito de fumar, transtornos psiquiátricos, doenças médicas gerais (diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares) e neurológicas, medicações, conflitos interpessoais, crenças culturais e combinações desses diferentes fatores interferem negativamente na atividade sexual humana. Dentre esses, destaca-se o uso de psicofármacos, cujos efeitos colaterais afetam não só a vida sexual, mas a reprodutiva (incluindo o ciclo menstrual, a gravidez e a amamentação) e a adesão e continuação ao tratamento.

Os psicofármacos, ou drogas psicotrópicas, são aquelas que interferem primariamente em funções do Sistema Nervoso Central – SNC. Neste grupo de medicamentos estão incluídos os ansiolíticos, os antidepressivos, os antipsicóticos e os antiepiléticos. Os antipsicóticos têm sido freqüentemente associados aos efeitos sexuais adversos, tendo cerca de 39% dos pacientes que os consomem feito queixa de interferência nessa esfera. Os antidepressivos são as drogas mais relacionadas com as disfunções sexuais femininas – considerados causadores de DS em 30% a 70% das pacientes – sendo as queixas mais recorrentes a redução da libido e a anorgasmia (dificuldade ou incapacidade de atingir o orgasmo).

Os principais efeitos sexuais dos psicofármacos, colhidos em relatos de pacientes – além dos efeitos colaterais típicos como fadiga, aumento de peso, tremor – são: hipossexualidade (deficiência ou ausência persistente de pensamentos sexuais e/ou receptividade à atividade sexual que causam desconforto ao indivíduo), hipersexualidade (esquiva completa de intercursos sexuais ou relacionamentos íntimos), anorgasmia, orgasmo doloroso, orgasmo espontâneo, redução da lubrificação vaginal, dispareunia (dor na relação sexual), vaginismo (contração involuntária dos músculos próximos à vagina que impedem a penetração), alterações menstruais, hipertrofia clitoriana, priapismo clitoriano (ereção persistente, freqüentemente dolorosa), infertilidade, aumento do volume das mamas, galactorréia (produção de leite pelas mamas nas mulheres).

Os autores explicitaram que nos estudos encontrados as disfunções sexuais são altamente prevalentes em mulheres e que não existem pesquisas controladas com práticas psicoterápicas e intervenções não farmacológicas, sendo evidente que a troca por outros tipos de medicamentos com efeitos colaterais menos prejudiciais ao desempenho sexual é sugerida por muitos pesquisadores. A pesquisa concluiu enfatizando a necessidade de tratar o tema em questão de forma mais detida, por constituir-se em um dos principais entraves ao tratamento, seja influenciando em seu abandono, aumentando o risco de recaída, ou em sua própria adesão.

Texto resumido pelo OBID a partir do original publicado pela Revista de psiquiatria clínica, v. 33, nº.3, p. 168-173. 2006. ISSN 0101-6083, editada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Autores: CORDAS, Táki Athanássios e LARANJEIRAS, Marcionilo
Fonte: OBID