Mais de um terço dos motoristas dirigem após beber

Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp constataram que 37,4% dos motoristas entrevistados em três cidades assumiram a direção de seus veículos após consumir bebida alcoólica. A pesquisa foi realizada em Diadema, Santos e Belo Horizonte.

Quase 1.900 motoristas das três cidades foram entrevistados entre fevereiro de 2005 e fevereiro de 2006, durante blitzes da Polícia Militar – PM nas noites de sexta-feira e sábado. Segundo um dos coordenadores do estudo, o Pesquisador Ronaldo Larangeira, da Unifesp, 15% dos entrevistados apresentaram índices de álcool no organismo mais elevado que o máximo tolerado por Lei. A legislação permite que os motoristas apresentem até 0,5 gramas de álcool por litro de sangue.

“O número mais significativo é o de que um terço dos motoristas mostrou algum nível de intoxicação alcoólica”, explicou o Pesquisador.

Segundo ele, um motorista flagrado com um índice permitido de álcool no sangue poderia estar muito mais embriagado 30 minutos antes de ter sido parado pela blitz da PM. Segundo Larangeira, genericamente é possível afirmar que o consumo de dois copos de cerveja ou uma dose de uísque ou um copo e meio de vinho são suficientes para se atingir o nível máximo de intoxicação por álcool permitido por Lei.

Larangeira acredita que as campanhas publicitárias de educação que aconselham motoristas a não consumirem bebida alcoólica não resolvem o problema dos acidentes. Para ele, o que funciona é fiscalizar regularmente. Ele defende ainda que motoristas flagrados tivessem seu veículo recolhido pela polícia.

Uma pesquisa semelhante à realizada em Diadema, Santos e Belo Horizonte seria feita também na capital paulista e estava sendo planejada pelo menos desde fevereiro deste ano. Um pedido formal de apoio foi feito pelo Conselho Municipal de Políticas Públicas sobre Drogas e Álcool, da Prefeitura, para representantes da Secretaria de Segurança Pública – SSP.

A idéia dos pesquisadores era fazer entrevistas durante blitzes da Polícia Militar realizadas nos bairros de Santana, Tatuapé, Interlagos, Vila Madalena e Itaim Bibi. No entanto, a autorização teria sido negada por conta de ataques a policiais realizados por membros do crime organizado.

A Secretaria de Segurança Pública afirmou que a pesquisa não foi cancelada por causa da iminência de ataques. Disse ainda que considera boa a iniciativa de realização da pesquisa e concorda marcar datas para a realização das blitzes.

Os pesquisadores pretendem acompanhar os policiais durante abordagens rotineiras a motoristas nas ruas. Eles utilizarão cinco equipamentos norte-americanos conhecidos como bafômetros passivos. São dispositivos camuflados que conseguem medir se uma pessoa está alcoolizada ou não sem que ela concorde em passar por um exame comum de bafômetro. Atualmente, um motorista suspeito de estar alcoolizado só passa pelo exame se concordar.
Autor: O Globo On-line
Fonte: OBID