Substâncias dopantes ultrapassam narcotráfico

O mercado de substâncias dopantes é maior do que o tráfico de drogas. Segundo o Presidente da Agência Mundial Antidoping – AMA, e ex-nadador, Richard Pound, de 64 anos. O doping no esporte tornou-se comum, principalmente nas categorias amadoras, conforme enfatizou o Médido Ortopedista limeirense, Júlio César Pereira dos Santos. O profissional que trabalha na Internacional desde 1986, afirmou que uma das medidas para amenizar o problema seria o trabalho de conscientização. A venda de substâncias dopantes vem crescendo no esporte e conforme levantamento feito recentemente, é maior do que o tráfico de maconha e cocaína, por exemplo.

Este problema passou a ser motivo de preocupação para os dirigentes, uma vez que os atletas acabam sendo estimulados – por maus profissionais – a fazerem o uso de substâncias nocivas à saúde, mas que dão em um primeiro momento, uma maior capacidade de desenvolvimento do atleta.

Júlio destacou que não se trata apenas da questão de punir e culpar o atleta. “Dirigentes, médicos e treinadores estão unidos para enganar. Existem maus profissionais na área, começando pelo médico, que aceita este tipo de coisa e que muitas vezes prescreve o medicamento. Alguns preparadores fisicos também entram nessa. É bom salientar que não é a maioria. Além disso, o usuário também poderá ter um tipo de câncer de fígado gravíssimo no futuro, devido ao uso de anabolizantes que não podem ser usados aleatoriamente”, alertou.

Futebol

O esporte amador tornou-se alvo de casos de doping. Para Ortopedista limeirense, tanto a Confederação Brasiliera de Futebol – CBF como a Federação Paulista de Futebol – FPF, preconizaram nos jogos o exame antidoping. Desta forma, poucos são os casos no Brasil. “O futebol tem a condição de arcar com as despesas dos exames, que são caros. Quando iniciamos na Internacional, colocamos em prática um trabalho profissional para controlar o tipo de medicamento que era receitado aos jogadores. Para contratar um jogador, por exemplo, primeiro era preciso uma bateria de exames, analisando a parte clínica, cardíaca e pulmonar. Pensando no atletismo, onde o atleta precisa de uma explosão mais rápida, eles acabam introduzindo a droga, e comprometem totalmente o atleta”, explicou.

Júlio foi enfático ao analisar o crescimento do mercado de substâncias dopantes em relação ao tráfico de drogas. “Algumas academias da nossa região vêm oferecendo essas substâncias. A fase mais difícil do ser humano é a adolescência. De repente, este jovem encontra alguém que só lhe oferece vantagem. Pode apostar, esse é o começo do pesadelo, onde o garoto começa a usar a substância. Por outro lado, é necessário o acompanhamento dos pais.

O negócio é grave e com certeza trará efeitos danosos para a vida destes adolescentes”, afirma.

O Doutor Júlio César contou que no primeiro momento em que a pessoa usa o anabolizante, ela se sente bem, mas a partir do momento que o efeito começa a diminuir, ela acaba entrando em depressão. Além de afetar na personalidade, existe também a mudança na parte física. “O atleta vira um robô e acaba sendo banido do esporte.

Hoje, a Sociedade Brasileira de Medicina Desportiva classifica o ser humano como atleta ou praticante de atividade física. O sujeito é considerado atleta, quando pratica o esporte com intuito de competição, seja amadora ou profissional. Quando a pessoa não tem compromisso, é apenas um praticante de atividade física.

Para os competidores amadores a situação é ainda mais complicada. O exame antidoping é caro e usado apenas em competições de muita importância e de nível internacional, como por exemplo as Olimpíadas.

Comércio

A venda das substâncias dopantes não tem controle. Mesmo sendo fabricadas em laboratórios, elas podem ser vendidas clandestinamente. “É preciso a conscientização da população. Essa reportagem poderá alertar a comunidade de Limeira e da nossa rica região. É necessário também a conscientização do treinador e do próprio atleta. Se o competidor necessita de uma vitamina, deve procurar um profissional respeitado da área para lhe receitar. O que não é permitido é o próprio treinador receitar a tal vitamina. Também existe o atleta que se auto-medica, pois para tudo existe um controle. Nesse caso, sem querer ele pode estar se dopando”, completou.
Autor: Sítio Gazeta de Limeira
Fonte: OBID