Cientistas descobrem origem genética do alcoolismo

Cientistas estadunidenses e italianos descobriram as origens genéticas da dependência álcoolica, segundo estudos divulgados na ultima quinta-feira, 05/10, pela revista norte-americana Cell.

Segundo os cientistas, essa descoberta é uma confirmação virtual de pesquisas anteriores, que diziam que pessoas com maior tolerância ao álcool correm um risco também maior de se tornarem alcoolistas.

Em um dos estudos, os cientistas do Instituto de Oncologia Molecular da Itália descobriram que os ratos que não têm um gene ativo no “esqueleto celular” – citoesqueleto – são menos suscetíveis aos efeitos intoxicantes do álcool. Como resultado, esses animais consomem mais etanol que os outros roedores sem sentir seus efeitos.

As análises também mostraram que os neurônios mutantes desses animais eram menos sensíveis à “reconfiguração” do citoesqueleto, que ocorre depois da exposição ao etanol.

Os cientistas italianos afirmaram que sua pesquisa proporcionou uma idéia mais clara sobre os mecanismos moleculares que determinam a resistência ao álcool, e poderia ser útil na prevenção da dependência que afeta cerca de 300 milhões de pessoas no mundo todo.

No segundo estudo, pesquisadores da Universidade da Califórnia descobriram uma mutação genética em moscas que as tornava invulneráveis aos efeitos do álcool. Ao aprofundar o estudo, os especialistas descobriram que os insetos não produziam uma proteína reguladora desses efeitos que está contida em um gene que, indiretamente, influi no citoesqueleto neural.

“A maior parte das pesquisas sobre o alcoolismo tinham se concentrado nos receptores da superfície celular e davam pouca atenção ao cistoesqueleto”, disse Ulrike Heberlin, Cientista da Universidade da Califórnia que participou de ambos os estudos. “Agora, por caminhos diferentes, estas duas pesquisas ressaltaram a possível função do citoesqueleto na reação ao etanol”, afirmou.
Autor: Folha Online
Fonte: OBID