A prevalência do tabagismo entre doadores de sangue

O tabagismo é um problema de saúde pouco abordado no que diz respeito aos doadores de sangue. Um dos prejuízos causados pelo cigarro ao organismo é a redução da capacidade do sangue de transportar oxigênio, causada pela presença de carboxi-hemoglobina, substância formada quando uma molécula de hemoglobina recebe uma molécula de monóxido de carbono. A fumaça do cigarro aumenta o teor de monóxido de carbono – CO na corrente sangüínea e os níveis desta substância aumentam com o número de cigarros consumidos.

Como resultado da presença de carboxi-hemoglobina ocorre a diminuição proporcional na quantidade de oxigênio disponível para o metabolismo celular, afetando a capacidade de trabalho e de exercício físico em pessoas sadias. Resultam também em efeitos cardiovasculares, agravando seriamente o quadro de portadores de doenças cardíacas e na qualidade do sangue de potenciais doadores de sangue.

Artigo publicado pela Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia teve como intuito disponibilizar os dados sobre os doadores fumantes a outros pesquisadores, garantindo a realização de novos estudos interdisciplinares sobre a situação transfusional e a qualidade do sangue doado pelos mesmos. A partir daí, será possível promover a interação com a saúde pública e a melhora da qualidade de vida do doador, visando a consolidação e o aprimoramento de um fluxo contínuo e permanente de sangue de boa qualidade para a população e criando uma cultura de doação de sangue mais ampla, estável e segura.

A população de estudo contou com 3 mil candidatos aptos à doação de sangue no Hemocentro Regional de Lages, região serrana de Santa Catarina. A coleta de dados deu-se por meio de um questionário inserido na triagem clínica realizada rotineiramente com os candidatos à doação de sangue. Os demais dados – número de doações, hematócrito e hemoglobina – foram obtidos por meio do Sistema Banco de Sangue – SBS no período de julho a setembro de 2002.

Os resultados explicitaram que 12,4% dos voluntários eram fumantes, sendo 66,5% do sexo masculino, 42% com o ensino fundamental completo e 57,5% com idade entre 18 a 35 anos. Em relação ao número de doações anteriores, 56,9% dos doadores não estavam doando pela primeira vez e 30,8% havia fumado entre um e cinco cigarros por dia, sendo que 33,2% havia fumado de seis a dez cigarros por dia. Foram encontradas diferenças significativas entre os valores de hematócrito e hemoglobina comparando-se grupos não tabagistas e tabagistas.

Em conclusão, segundo os pesquisadores, o número de doadores tabagistas foi considerado pequeno e os problemas causados pela concentração de carboxi-hemoglobina referem-se aos ditos grandes fumantes (acima de 40 cigarros/dia) que constituíam a minoria de voluntários, não interferindo significativamente na qualidade do sangue disponibilizado. Os pesquisadores explicitaram a importância de traçar o perfil do doador fumante para que campanhas preventivas e educativas sejam criadas e veiculadas visando à conscientização e diminuição dessa categoria de doadores.

Texto resumido pelo OBID a partir do original publicado pela Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, v. 28, nº 1, p. 19-23, jan/mar. 2006. ISSN 15168484. EditadO pela Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia e Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-84842006000100006&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt
Autor: SPADA, C.; TREITINGER, A.; SOUZA, M. A.
Fonte: OBID