INTERNET: Um Alerta para Você que tem ou não tem Filhos!

Maria podia ouvir passos seguindo-a quando ela voltava da escola para casa.
A idéia de estar sendo seguida acelerou as batidas do seu coração. “Você é uma tola” – ela disse a si mesma – “ninguém está seguindo você”. Para ficar a salvo, ela começou a andar mais depressa, mas os passos acompanharam os seus. Ela temia olhar para trás e ficou feliz por estar já quase em casa.
Maria rezou baixinho: “Deus, por favor, faça-me chegar a salvo em casa”.
Ela viu acesa a luz de sua varanda e correu o resto do caminho para casa.
Já lá dentro, ela se recostou na porta por um instante, aliviada por estar na segurança do lar. Ela deu uma espiadinha na janela para ver se havia alguém lá fora. A calçada estava vazia. Depois de largar seus livros sobre o sofá, ela resolveu entrar só um pouquinho na Internet. Ela usou seu nickname ByAngel213, checou sua lista e viu GoTo123 on line.

Ela então enviou a ele uma mensagem:
ByAngel213: Oi, estou contente que vc esteja on line! Eu pensei que estava sendo seguida quando vinha pra casa hoje. Foi terrível!
GoTo123: Uau, você anda vendo muita TV. Por que alguém ia te seguir? Vc não mora num lugar seguro?
ByAngel213: Claro que moro. Eu acho que foi minha imaginação, porque eu não vi ninguém quando eu espiei.
GoTo 123: Você deu seu nome aqui na Net?
ByAngel213: Claro que não! Eu não sou idiota, vc sabe muito bem…
GoTo 123: Vc jogou handball depois da escola hoje?
ByAngel213: Joguei, e nós ganhamos!!!!!!
GoTo 123: Legal! Contra quem vcs jogaram?
ByAngel213: Contra O Colégio Gama Netto. Caramba, o uniforme delas era o máximo. Eles pareciam abelhas.
GoTo 123: Como se chama o seu time?
ByAngel213: Nós somos as Gatas do Santa Rosa. Nós temos patas de tigre pintadas nos nossos uniformes.
GoTo 123: Vc lança?
ByAngel213: Não, eu sou da defesa. Agora eu tenho que ir. Tenho que fazer o dever de casa antes de meus pais chegarem. Eu não quero levar bronca deles.
Bye.
GoTo 123: Te vejo mais tarde. Bye.

Enquanto isso…
GoTo123 foi ao menu do computador e escolheu a função que queria. Imprimiu toda a conversa. Pegou uma caneta e escreveu embaixo tudo o que ele sabia sobre Angel mesmo distante dela.
Nome dela: Maria
Nascimento: 29 de novembro de 1990
Idade: 14 anos
Estado em que mora: Rio de Janeiro
Hobbies: handball, dança, bike e ir ao shopping.
Além disso, ele sabia que ela morava na Barra porque ela havia dito a ele.

Ele sabia que ela ficava sozinha em casa até 6:30 da noite todo dia, até que os pais chegassem do trabalho. Ele sabia que ela jogava handball nas tardes de quinta-feira no time da escola, e o time se chamava Gatas do Santa Rosa.
Seu número favorito era 7 e ela o tinha pintado na camisa. Ele sabia que ela estava na oitava série na Colégio Santa Rosa. Ela havia contado tudo isto a ele durante as conversas que tinham on-line. Ele já tinha informações suficientes para encontrá-la, agora.

Maria não contou a seus pais sobre o incidente no caminho da quadra para casa naquele dia. Ela não queria que eles fizessem uma cena e impedissem que ela viesse sozinha a pé da escola pra casa. Pais são sempre exagerados e os dela eram mestres nisso. Afinal, ela já não era mais uma criancinha.
Talvez se ela tivesse irmãos e irmãs, seus pais não fossem tão superprotetores.
Na quinta feira, Maria já tinha esquecido os passos que a seguiram. O jogo estava correndo quando de repente ela sentiu que alguém a observava. Sua mente enviou um alerta. Ela saiu de sua posição de jogo para ver um homem que a fitava fixamente. Ele estava perto da grade e sorriu quando ela o olhou. Ele não parecia ameaçador e rapidamente ela o ignorou. Depois do jogo, ele se sentou numa mureta enquanto ela conversava com o treinador.

Ela o viu sorrir de novo quando passou por ele. Ele balançou a cabeça e ela sorriu de volta. Ele percebeu o nome dela nas costas da camiseta. Ele sabia que a tinha encontrado. Silenciosamente, ele caminhou a uma cautelosa distância atrás dela. Eram poucas quadras até a casa de Maria e depois que ele viu onde ela morava, ele calmamente retornou à quadra e pegou seu carro.

Agora ele tinha que esperar. Ele resolveu comer alguma coisa até chegar a hora de ir à casa de Maria. Ele foi até uma lanchonete e sentou lá até a hora de iniciar sua ação.
Maria estava no seu quarto mais tarde, naquele dia, quando ela ouviu vozes na sala. “Maria, venha cá”, seu pai a chamou. Ele parecia zangado e ela não imaginava por que. Ela foi até a sala e viu o homem que estava antes na quadra, sentado no sofá. “Sente-se”, disse seu pai, “este homem acabou de nos contar uma história muito interessante sobre você”. Maria foi até a cadeira em frente ao sofá. O que ele poderia ter dito a eles? Ela nunca o tinha visto antes de hoje!
“Você sabe quem sou eu, Maria?” O homem perguntou. “Não”, ela disse.
“Eu sou um policial e seu amigo virtual, GoTo123”. Maria estava pasma. “Não pode ser! GoTo é um garoto da minha idade! Ele tem 14 e mora em Brasília!”

O homem sorriu. “Eu sei que eu disse isso a você, mas não é verdade. Veja, Maria, há um monte de gente na rede que se finge de crianças ou jovens. Eu fui um deles. Mas enquanto os outros querem achar jovens e fazer mal a eles, eu pertenço a um grupo que faz isso para proteger os jovens de gente perversa. Eu vim aqui ver você, para ensinar a você que é perigoso dar muitas informações a pessoas on-line. Você me contou o suficiente sobre você para tornar fácil a tarefa de encontrar você. Seu nome, sua escola, o nome de seu time de handball e a posição em que joga. O número e o nome na sua camisa fizeram tudo ainda mais fácil”. Maria estava de queixo caído. “Você quer dizer que não mora na Barra?”

Ele riu. “Não, eu moro em Brasília. Você achava que estava segura, pensando que eu estava muito distante, não é?” Ela aquiesceu. “Eu tinha um amigo cuja filha era como você. Só que ela não teve tanta sorte. O cara a encontrou e a matou brutalmente quando ela estava sozinha em casa. Jovens são orientados a nunca dizerem que estão sozinhos em casa, mas se esquecem de seguir estas regras quando estão on-line. Gente má encontra você, juntando uma informação aqui, outra ali, na Rede.

Antes que perceba, você já terá dado a eles o suficiente para encontrarem você sem que perceba que tenha feito isso. Eu espero que tenha aprendido uma lição com isso e não repita mais o que fez.” “Tem minha palavra!” Maria prometeu solenemente. “Você vai contar aos outros sobre isso, para que eles fiquem a salvo também?” – “Eu prometo!”
Naquela noite Maria e seu pai e mãe se ajoelharam juntos e rezaram. Eles agradeceram a Deus por proteger Maria do que poderia ter tido um trágico final.