Perimetria de cores em usuários de tabaco-álcool

O consumo abusivo do álcool e tabaco agride a função visual causando alterações na acomodação, midríase (dilatação da pupila) e convergência, prejuízo da visão binocular na intoxicação aguda, redução da sensibilidade ao contraste e discriminação das cores e ambliopia alcoólica.

A perimetria de ondas curtas (azul-amarelo) é utilizada na detecção precoce de diversas doenças indicando os pontos alterados e a profundidade do defeito, inclusive algumas desordens neuro-oftalmológicas, relacionadas às células ganglionares, cones, sensíveis às cores azuis e amarelas; também se destaca por ser um exame mais eficaz que a perimetria acromática sendo capaz de identificar alterações funcionais três a cinco anos antes desse.

Artigo publicado pelo periódico Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, em 2006, avaliou as alterações de campo visual em usuários crônicos de tabaco e álcool por meio de perimetria azul-amarelo estratégia 10-2. A população de estudo foi composta por indivíduos de gênero masculino e dividida em dois grupos: o grupo estudo com 21 usuários de tabaco-álcool e o grupo controle com 15 sujeitos não usuários dessas substâncias.

Esses indivíduos foram submetidos a exame oftalmológico de acuidade visual com e sem correção, refração, biomicroscopia (visualização externa do olho, de todos componentes da câmara anterior como íris, aquoso, cristalino e suas cápsulas e parte do segmento posterior, vítreo anterior e retina, por meio de lentes apropriadas), tonometria de aplanação (indica qual é a pressão necessária para aplanar o ápice de uma córnea) e fundoscopia. O estudo foi realizado na Fundação Altino Ventura, no período de março a outubro de 2004 em Recife, Pernambuco.

Os resultados demonstraram que 95,3% dos usuários crônicos de tabaco e álcool, apresentaram maior freqüência de alterações no gráfico de profundidade do defeito e que 64,3% desses apresentavam maior número de pontos alterados. No grupo controle todos os exames apresentaram-se com menos de dez pontos alterados, com 8 olhos apresentando de 1 a 3 pontos alterados e o restante sem nenhum ponto alterado.

A pesquisa concluiu confirmando a existência da associação entre o uso crônico de tabaco-álcool e as alterações do sistema parvocelular (células ganglionares ou cones) representado pelos números de pontos alterados e a profundidade do defeito, apontando a toxicidade destas drogas para a retina.
Autor: CARVALHO JUNIOR, J. F.; DANDA, D.; DANTAS, H. et al.
Fonte: OBID