Perigos para fertilidade

Álcool e cigarro são vilões recorrentes de histórias com personagens de saúde frágil. O roteiro ainda se torna pior quando o assunto principal é fertilidade ou gravidez. O Ginecologista Corival Lisboa Alves de Castro não poupa munição e ataca os vilões com argumentos invencíveis. A composição do cigarro, por exemplo, oferece um quadro aterrador.

“Ele é fabricado a partir da folha de tabaco, Nicotiana tabacum, exposta a aromatizantes e umectantes, misturada com aditivos, triturada e enrolada num tubo de papel com um filtro de celulose na extremidade”, explica Corival. Mais de 4 mil constituintes químicos são identificados no cigarro. Metade é do fumo in natura. Pesticidas e compostos orgânico-metálicos são outras substâncias tóxicas para o corpo.

Agentes irritantes, oxidantes e carcinogênicos completam a mistura. “O cigarro é considerado uma toxina reprodutiva que atrapalha a produção dos gametas, óvulos e espermatozóides, e é responsável por 13% dos casos de infertilidade feminina”, sem falar que retarda o crescimento intra-uterino durante a gravidez. Imagine-se num ambiente confortável subitamente invadido por fumaça.

Não há evidências de que o consumo moderado de álcool prejudique o feto, mas tomar uma garrafa de vinho ou cinco doses de outra bebida por semana reduz em até 40% as chances de uma gestação. Na falta de limites seguros e definidos, recomenda-se abstenção durante a gravidez, mesmo entre os adeptos do etilismo social, que não se embaralham com os drinques.

O risco da Síndrome Alcoólica Fetal – SAF ronda as mulheres que exageram nas doses. “Provoca danos físicos e mentais irreversíveis, sem distinção econômica ou de raça”, alerta Corival. A má-formação, especialmente da face, e o comprometimento neurológico deveriam ser suficientes para afastar as gestantes do álcool, mas aproximadamente 4% dos bebês de etilistas ou alcoolistas apresentam a síndrome: a média é de um a dois para cada mil nascidos vivos.
Autor: Diário da Manhã
Fonte: OBID