Método para determinação de MDMA em comprimidos de ecstasy por cromatografia – Parte II

RESULTADOS e DISCUSSÃO

Amostras de ecstasy (3 cápsulas e 22 comprimidos) provenientes de 25 lotes de apreensão realizados em São Paulo foram submetidos ao método para caracterização da sua composição ativa e determinação da concentração de MDMA presente em sua formulação.
As amostras foram pesadas e identificadas conforme sua forma, cor e logotipo. Algumas amostras que possuíam o mesmo logotipo estampado, porém oriundas de lotes diferentes, apresentaram diferenças consideráveis na quantidade de MDMA isto sugere que não são provenientes do mesmo fabricante ou que durante o processo de mistura entre o princípio ativo e os excipientes não ocorreu homogeneização eficiente.
Em algumas amostras, a MDMA não foi encontrada, sendo substituída por substâncias análogas como a anfetamina, a metanfetamina e a MDEA.

Comprimidos e cápsulas analisados através do método proposto. Foto extraída do artigo original publicado na Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas. Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences vol. 40, n. 1, jan./mar., 2004

Alguns métodos para determinação da composição de amostras de ecstasy têm sido relatados na literatura científica, utilizando técnicas de espectroscopia no infravermelho, eletroforese capilar, cromatografia líquida, cromatografia em fase gasosa e espectrometria de massa associada à cromatografia em fase gasosa. Os resultados desses trabalhos têm demonstrado que não somente a MDMA está presente em amostras apreendidas como sendo ecstasy.
Muitas vezes, compostos análogos, como a MDA e a MDEA podem ser as substâncias ativas encontradas na composição desses comprimidos e misturas com outros estimulantes como cafeína e efedrina não são incomuns.
Também tem -se verificado que não somente a composição dos comprimidos de ecstasy têm apresentado variações, mas também a concentração e quantidade de MDMA encontrada (concentrações de MDMA variavam até 70 vezes entre os comprimidos analisados). Um estudo inglês verificou um conteúdo de MDMA, que variava de 20 a 109 mg. Neste estudo o conteúdo de MDMA variou de 30,9 a 92,7 mg. Neste estudo, a cromatografia em fase gasosa com detector de nitrogênio/fósforo foi utilizada como técnica para a quantificação da MDMA presente em comprimidos apreendidos em São Paulo (SP) como sendo ecstasy. O método, baseado na dissolução direta de uma alíquota da amostra com metanol, demonstrou ser procedimento prático e rápido, em comparação com outros métodos em que são utilizadas fases de extração e pré-tratamento da amostra.
Amostras de ecstasy apreendidas em São Paulo (SP) foram submetidas ao método.
Apesar da pequena quantidade de comprimidos e cápsulas analisados, variabilidade considerável foi encontrada tanto na composição ativa (MDMA, compostos análogos e adulterantes) como na quantidade de MDMA presente nas amostras pesquisadas.

Em algumas amostras, inclusive, a MDMA não foi encontrada, sendo substituída por substâncias com maior potencial de causar dependência como a anfetamina e a metanfetamina. Essa variabilidade pode ter sérias implicações pois usuários da droga podem estar expostos a diversas doses e/ou diversas combinações com outros tipos de agentes psicoativos.

Levando-se em consideração que usuários de ecstasy podem ser consumidores de outras drogas como cocaína, maconha, bebidas alcoólicas e alucinógenos, o risco de intoxicações se torna ainda mais elevado.
Portanto, a identificação dos componentes ativos do ecstasy se torna necessária, fornecendo informações adicionais para os profissionais da área emergencial e de tratamento, envolvidos na elucidação de casos de abuso da droga e intoxicações. Além disso, o esclarecimento das características das misturas de ecstasy no Brasil, através de análises toxicológicas sistemáticas, poderia dar indícios de possíveis fontes de produção, distribuição e origem da droga.
CONCLUSÕES

O método desenvolvido e validado para determinação de MDMA por cromatografia em fase gasosa com detector de nitrogênio/fósforo demonstrou ser simples, rápido e eficiente, podendo ser aplicado em laboratórios de toxicologia que dispõem deste equipamento. Nas amostras de ecstasy apreendidas em São Paulo (SP), variabilidade considerável foi encontrada tanto na composição ativa (MDMA, compostos análogos e adulterantes) como na quantidade de MDMA. Como não existe controle de qualidade no mercado de drogas ilícitas, observa-se risco adicional de intoxicação devido à possibilidade de exposição a concentrações diversas e combinação com outros fármacos psicoativos presentes nos comprimidos e cápsulas de ecstasy.
Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas vol. 40, n. 1, jan./mar., 2004
http://www.scielo.br/scielo.php/script_sci_serial/lng_pt/pid_1516-9332/nrm_iso
Silvio Fernandes Lapachinske
Mauricio Yonamine
Regina Lucia de Moraes Moreau
Fonte:Site Álcool e Drogas sem Distorção (www.einstein.br/alcooledrogas)/Programa Álcool e Drogas (PAD) do Hospital Israelita Albert Einstein