Associação de fatores sociais ao uso de drogas psicotrópicas por estudantes – SP – MJ

A adolescência é o período em que os jovens estão mais vulneráveis ao uso de drogas, muitas coisas estão mudando em suas vidas com o desenvolvimento de sua pesonalidade. Ele deixa de ser criança e passa a assumir uma postura mais adulta, ainda que não seja um. Começa a participar de grupos sociais e tem maior necessidade de ser aceito. Tudo isso pode influenciar para que ocorram as primeiras experiências com drogas. Por isso é tão importante realizar estudos que tentem conhecer melhor os jovens e que identifiquem os fatores associados ao uso de drogas licitas e ilícitas. Segundo pesquisas realizadas pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicos – CEBRID, em 10 capitais brasileiras nos anos de 1987, 1989, 1993 e 1997, ficou constatado que o álcool, seguido do tabaco e do solvente são as drogas mais usadas. Mostrou também que o uso pesado da maconha (uso em 20 dias ou mais nos 30 dias que antecederam a pesquisa) aumentou muito durante esses anos.

Geralmente, os estudos sobre o uso de drogas por estudantes realizados no Brasil são feitos nas capitais. Por isso o presente artigo publicado pela Revista de Saúde Pública comparou e identificou a freqüência do uso pesado de drogas em escolas públicas centrais, públicas periféricas e particulares. O estudo também verificou os fatores sociais, culturais e psicológicos que podem influenciar o uso. Participaram 2.287 estudantes.
Os resultados mostram que o uso pesado de drogas foi maior nos estudantes do período noturno de escolas públicas central, que trabalham, dos níveis sociais A e B e com pouca religiosidade. O uso também é maior entre os alunos que se sentiam pouco apoiados e compreendidos pela família. As drogas mais utilizadas de forma pesadas foram o álcool (11,9%), seguido pelo tabaco (11,7%). A droga ilícita mais utilizada no presente estudo foi a maconha (4,4%).

Mesmo onde o trafico é maior, como as áreas de escolas públicas periféricas, o uso foi menor. Acredita-se que isso ocorre porque os jovens que moram nessas localidades estão mais expostos à mortalidade, violência e apreensões pela policia. Outro fator que pode ter influenciado é a condição financeira, já que os jovens de classe A e B e/ou que trabalham têm maior poder aquisitivo. O estudo mostrou também a importância da família. Estudantes que se julgavam apoiados e compreendidos pela família relataram um uso menos freqüente de drogas.

Em conclusão o estudo identificou que o uso de droga está relacionado a fatores sociais e econômicos, bem como à família e à religião, que podem ser fatores de proteção. A disponibilidade financeira e o trabalho ou estudo noturno podem facilitar o uso.
Os achados colaboram para uma melhor compreensão do uso de drogas por jovens em vários meios sociais do País. Esses resultados devem ser levados em conta em pesquisas e intervenções educativas e preventivas no futuro.

Texto resumido pelo OBID a partir do original publicado pela Revista de Saúde Pública, dez. 2004, São Paulo, vol.38 (Supl 2): pág. 277-83. Editado pelo Instituto Materno Infantil de Pernambuco. ISSN 1519-3829. Editado pela Faculdade de Saúde Pública de São Paulo. ISSN 0034-8910.
Autor: SOLDERA, Meire; DALGALARRONDOA, Paulo; Dalgalarrondo, CORREA FILHO, Heleno Rodrigues Corrêa; SILVA, Cleide A M.