Estudo mostra que pais alcoolistas podem prejudicar o desenvolvimento dos filhos

O mau exemplo de pais alcoolistas pode ser suavizado com carinho, conversas e atividades em família
O consumo de álcool aumentou muito nos últimos anos, e está associado ao crescimento da industria de bebidas alcoólicas, ao desenvolvimento do turismo e ao desemprego. O consumo de bebida alcoólica é muito difundido no Brasil. Segundo dados da pesquisa “Prevalência de consumo de bebidas alcoólicas e alcoolismo em uma região metropolitana do Brasil”, publicada em 1993 pela Revista Pública[i], cerca de 84% da população faz uso ocasional e 3 a 15% são dependentes. Algumas pesquisas mostram que uma em cada quatro crianças menores de 18 anos está exposta ao abuso de álcool no ambiente familiar. Associado a componentes biológicos, psicológicos e sociais, a influencia parental(pais, cuidadores, responsáveis) corrobora para o desenvolvimento do abuso e dependencia de álcool.

Vários pesquisadores têm feitos estudos com filhos de alcoolistas, pois esses têm grande chance de vivenciar eventos negativos durante o seu desenvolvimento. O ambiente familiar e a maneira como os familiares se relacionam podem afetar muito a vida dos jovens. Muitos estudos mostram que filhos de pais alcoolistas apresentam elevadas taxas de psicopatologias (doenças psicológicas) e muitos desenvolvem problemas com uso abusivo de álcool. Além disso,a ansiedade, a depressão e a desordens comportamentais são mais comuns em filhos de pais alcoolistas.
A Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas publicou um artigo de revisão com o intuito de identificar as reais condições de vulnerabilidade e de proteção à criança e ao adolescente expostos ao alcoolismo familiar. A coleta de dados deu-se através de artigos sobre o tema filhos de alcoolistas com delimitação do período de busca de 1995 a 2000 e foi dividida em duas fases: na primeira etapa a pesquisa bibliográfica foi efetuada e na segunda realizou-se a análise e distribuição dos artigos de acordo com os objetivos propostos pelo estudo em questão.

Após uma revisão minusiosa os artigos selecionados foram dispostos em três categorias diferentes visando a apresentação dos resultados: alcoolismo parental e características afetivas e comportamentais da criança ou do adolescente; co-ocorrência de alcoolismo com outro distúrbio e características da criança ou do adolescente e fatores que podem funcionar como protetores à criança/adolescente.

Os resultados mostram que crianças de pais alcoolistas apresentam problemas escolares, como notas baixas e mau comportamento quando comparadas aos filhos de não-alcoolistas. Demonstram também maior vergonha e sentimento de inferioridade, sendo mais agressivos e hiperativos. Quanto ao ambiente familiar, a relação dos filhos com os pais é ruim e com pouca conversa e carinho.

Outro ponto que chama atenção é que muitos estudos mostram que essas crianças se envolvem mais cedo com as drogas e acabam se tornando dependentes, mas isso não é um consenso. Outras pesquisas defendem resultados diferentes, mostrando que jovens que possuem pais alcoolistas observam o sofrimento dos mesmos e acabam criando uma imagem negativa do álcool e se afastam não perpetuando os padrões parentais em relação ao alcoolismo. Alguns fatores podem ajudar filhos de pais alcoolistas, como um familiar que não faça uso do álcool e pode proporcionar um ambiente melhor, incentivando rotinas familiares, sendo carinhoso e conversando bastante com a criança.

O estudo evidenciou que o uso abusivo de álcool não afeta somente o alcoolista, mas todos aqueles que fazem parte da família principalmente os filhos que estão em fase de desenvolvimento e são muito mais sensíveis. Explicita a questão da incidencia frequente do alcoolismo na família e a falta de de estudos nacionais sobre o tema e conclui enfatizando a importância de atentar-se para os aspectos do funcionamento psicológico dessas crianças e adolescentes.
Autor: ZANOTI-JERONYMO, D.V.; CARVALHO, A.M.P.
http://www2.eerp.usp.br/resmad/resmad2/artigo_titulo.asp?rmr=58