Cresce incidência de câncer de pulmão entre mulheres

O resultado do aumento do número de mulheres fumantes no Brasil, revelado por uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp, segundo o Instituto Nacional do Câncer – Inca, revela um dado preocupante, e que pode estar diretamente relacionado ao crescimento do uso do fumo no grupo feminino: o câncer de pulmão.

De acordo com o Inca, desde 2002 esse tipo de câncer passou a ser a segunda doença que mais mata mulheres no País, o primeiro é o câncer de mama. No início da década de 1990, o câncer de pulmão ocupava o quarto lugar entre as doenças que mais vitimavam o sexo feminino. De acordo com o Inca, 30% dos cânceres que existem estão relacionados ao tabaco.

A explicação para esse aumento no número de mulheres fumantes seria que elas foram “seduzidas” pela indústria do tabaco, antes da proibição da veiculação da propaganda na mídia brasileira em 2002, aponta o Inca. “As empresas do setor fizeram um estudo sobre o comportamento da mulher num momento importante de sua emancipação, e passaram a fazer anúncios de que a mulher era livre, independente, e que fumar fazia parte dessa conquista. Isso teve uma resposta bastante positiva entre as mulheres”, conta a Chefe Adjunta da Divisão de Controle do Tabagismo do Inca, Valéria Cunha.

Atualmente, segundo ela, investe-se na estratégia de que fumar emagrece. “Muitas querem parar de fumar, mas só em pensar que vão ganhar peso se largarem o cigarro, elas acabam desistindo”, afirma Valéria. Para a funcionária do Inca, as mulheres acabaram respondendo “positivamente” aos apelos da mídia e da indústria do tabaco, e passaram a experimentar o cigarro mais cedo, e hoje chegam a superar os homens em algumas capitais, como Porto Alegre.

Se a propaganda do cigarro está proibida na mídia, como também o patrocínio de eventos culturais e esportivos, Valéria ressalta que há propaganda indireta, através do uso de formadores de opinião, que são contratados para usarem o cigarro em eventos de massa, ou através de personagens de filmes e novelas. “É todo um jogo de sedução que a indústria do fumo sabe fazer muito bem, e os jovens compram essa idéia”, adverte.
Fonte: O Estado do Maranhão – MA