A corrida do doping

A boa forma física não é pré-requisito apenas para os atletas de ponta que participarão dos Jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro, em julho próximo. Quando for dada a largada para a maior competição esportiva das Américas, uma equipe de 130 profissionais da área química passará por uma prova de resistência. São eles que vão realizar os exames de controle de doping nos Jogos. Um terço deles já faz parte dos quadros do Ladetec – Laboratório de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico, ligado ao Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro – único laboratório na América do Sul e Caribe credenciado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) para análises de controle de dopagem no esporte. O restante do pessoal chega como reforço. E são muito bem-vindos. Para se ter uma idéia, o laboratório, que analisa quatro mil amostras por ano, durante o Pan 2007 terá a tarefa de sentenciar 1.500 procedimentos em apenas 15 dias. Sem contar a pressão: os resultados têm que sair em 24 horas, contra duas semanas que leva em tempos normais. Não tem jeito, o pessoal do Ladetec vai encarar três turnos de trabalho.

Radler, do Ladatec: “O Pan dá notoriedade e ajuda a melhorar a
infra-estrutura do laboratório”.

Tanto esforço vale a pena financeiramente? Depende de quem faz o cálculo. Para qualquer empresário a conta é simples: 1.500 exames a R$ 530 cada um dá R$ 795 mil. Mas a aritmética dos 80 cientistas que tocam o Ladetec é menos pragmática. “Na ponta do lápis, trabalhamos pelo preço de custo, mas ganhamos em notoriedade e melhoramos a nossa infra-estrutura”, diz o coordenador do Ladetec, Francisco Radler. Por isso, comemoram os R$ 7 milhões recebidos do governo federal para a compra de equipamentos e a reforma do local. Não é para menos: cada máquina custa de US$ 120 mil a US$ 600 mil. Hoje, o Ladetec fatura R$ 2 milhões ao ano.

Na verdade, esse grupo de cientistas sabe como é difícil viver de ciência no Brasil. Quando fundaram o Ladetec, em 1984, a idéia era criar um laboratório de alto valor agregado para sustentar o custo com pesquisas. Começaram com a prospecção geoquímica de poços de petróleo para a Petrobras. Cinco anos depois, aceitaram o desafio da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para criar um laboratório de análise de doping e se responsabilizar pelo serviço durante a Copa América, realizada em 1989 no País. Como previu Radler, a partir daí o Ladetec ganhou novos clientes e triplicou de tamanho. De um equipamento, passou a contar com 17. “O Pan deve nos dar novos credenciamentos internacionais”, diz Radler. Depois de 17 anos na área esportiva, o Ladetec tem como clientes as confederações de vôlei, futebol e atletismo e outras 50 federações de diferentes modalidades esportivas no Brasil e na América Latina.
Autor: Denise Ramiro – ISTO É DINHEIRO
Fonte: OBID