Abuso de álcool preocupa

Às vésperas do carnaval, quando a preocupação dos pais com a mistura de álcool e direção aumenta, a pesquisa divulgada ontem, 15/02, pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – SBOT, mostra que o receio não é exagerado. Os dados revelam que entre 1.034 universitários ouvidos, entre os dias 9 e 10 de fevereiro, no Rio e em São Paulo, que confessaram ter o hábito de sair de carro para se divertir, 37% admitiram que dirigem após a ingestão de álcool. O risco, porém, é muito maior. Mais de 80% dos que evitam assumir o volante aceitam carona de amigos alcoolizados.

Enquanto a família fica tensa, o jovem relaxa, mostra o levantamento. Foram entrevistados estudantes entre 18 e 30 anos, das áreas de biomédica, humanas e exatas, de oito instituições de ensino, como a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC, e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Apenas 12% declararam que, ao saírem, combinam que um amigo permanecerá sóbrio para garantir uma volta segura da turma para casa. Diante disso, não surpreende que 38% dos jovens tenham colegas já envolvidos em colisões por causa do álcool.

“Esperamos que sirva para abrir os olhos das pessoas. Especialmente agora, com o Carnaval, quando muitos abusam da bebida. Que as pessoas se dêem conta do risco a que estão expostas, e que atinge também outros motoristas e os pedestres”, alertou o Presidente da SBOT no Rio, César Fontenelle. O jovem muitas vezes lança mão do álcool para perder a inibição e, com isso, adquirir mais confiança.

Segundo Fontenelle, isso torna a pessoa mais propensa a ultrapassar sinais de trânsito e limites de velocidade, uma vez que os reflexos são reduzidos pela bebida. Quando a pessoa ultrapassa minimamente o limite permitido por Lei, que é de 0,6 grama de álcool por litro de sangue, a chance de sofrer um acidente duplica. A concentração, explica o especialista, equivale a três copos de chope. Se a pessoa toma cinco copos, a possibilidade triplica, e se tomar 10, a probabilidade aumenta em 20 vezes.

Com uma amostra formada por 61% de homens e 39% de mulheres, a pesquisa avaliou também a adesão o uso do cinto de segurança. Embora seja uma prática de 96% dos motoristas, e 93% dos caronas, só 11% fazem uso do acessório quando estão no banco traseiro.
Fonte: Correio Braziliense