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Consumo de álcool atinge 49% dos motoristas em Belo Horizonte

Quase a metade dos motoristas que trafegam pela Região centro-sul de Belo Horizonte, entre as sextas-feiras e os sábados, consomem bebidas alcoólicas antes de assumirem a direção. O dado é de uma pesquisa da Secretaria de Estado de Esportes e da Juventude, por meio da Subsecretaria de Políticas Antidrogas, realizada nos dias 15 e 16 de dezembro de 2006, entre as 23 e as 3 horas. Dos 404 condutores entrevistados, 49,1% disseram que haviam bebido no dia e, no teste do bafômetro – do qual participaram 277 – 45% apresentaram teor alcoólico, sendo que 22,6% estavam com índices acima do permitido (0,6g/L). A divulgação do levantamento foi realizada na véspera do carnaval e objetivava servir de alerta para os motoristas que fossem consumir bebidas alcoólicas.

“A pesquisa comprova que há um grande número de pessoas dirigindo com quantidade de álcool acima do permitido. Constatamos que é preciso tomar medidas para que se cumpra a Lei”, afirmou o Secretário de Esportes e Juventude, Fahim Sawan. Para ele, o aumento do risco de acidentes de trânsito é um dos fatores relacionados à bebida que mais preocupam, tanto pelas mortes quanto pelos feridos graves. Sawan anunciou que um dos próximos estudos da secretaria será sobre as seqüelas provocadas por acidentes.

Diante dos resultados, a secretaria decidiu criar o Comitê Estadual de Gestão de Política do Álcool, para estudar medidas que podem ser implantadas para coibir e regulamentar o consumo de bebidas. “Não conseguimos medir a eficácia da Lei que existe porque não é cumprida. Temos que assumir a responsabilidade de fazer um laboratório para medir as ações legais”, disse o Subsecretário de Políticas Antidrogas, Clóvis Benevides.

Os dois órgãos vão fazer, a partir de abril, um levantamento sobre o uso do álcool em dez regiões do Estado e nas nove regionais de Belo Horizonte. A pesquisa de dezembro foi realizada em um trecho das avenidas Nossa Senhora do Carmo e do Contorno, na Região da Savassi. Em junho, conforme Benevides, o Estado vai divulgar dez projetos para o controle do consumo do álcool, de acordo com cada área pesquisada. “Temos diferenças regionais no uso do álcool, que variam conforme o público, o poder aquisitivo e o perfil de assistência à educação e à cultura”.

A pesquisa complementou um levantamento feito em 2005, em horário diferente, das 22 às 2 horas. O Coordenador do trabalho e Psicólogo da Fundação Escola de Vida, Rogério Salgado, informou que, em 2006, o número de pessoas que ingeriram álcool foi maior – passou de 37,4% para 45%. Também aumentou o percentual dos que estavam com nível alcoólico acima do permitido, de 15,7% para 22,6%. “Há um aumento nesse tipo de conduta (beber e dirigir) à medida em que as horas avançam”, observou. A bebida mais consumida é cerveja ou chope (59,1%), seguida por vinho ou champanhe (15,1%).

A maioria dos entrevistados era do sexo masculino (77,4%), entre 18 e 30 anos (51,9%), solteiros (60,9%), com nível de escolaridade superior completo ou incompleto (73%), com emprego formal (48,1%) e renda familiar acima de oito salários mínimos (76,3%). E 56,3% afirmaram fazer consumo de bebidas alcoólicas de uma a duas vezes por semana.
Fonte: Hoje em dia