MEDICINA: Fumar é tão perigoso como usar heroína

RIO, 22 de fevereiro de 2007 – Fumar provoca mudanças duradouras no cérebro semelhantes às deixadas em animais com o uso de cocaína, heroína e outras drogas viciantes.

A análise do tecido cerebral de fumantes e não-fumantes mortos, feita por pesquisadores do Instituto Nacional do Abuso de Drogas (Nida, do inglês), nos EUA, revelou que os fumantes apresentavam as alterações mesmo que tivessem deixado o cigarro há anos.

Os resultados mostram que existem mudanças químicas de longo prazo no cérebro humano – avaliou Michael Kuhar, da Emory University, em Atlanta. – Essas alterações sozinhas sugerem uma base fisiológica para o vício da nicotina.

A equipe de pesquisadores liderada por Bruce Hope, do Nida, investigou duas enzimas encontradas nos neurônios. Essas substâncias colaboram para o envio de sinais químicos de modo parecido com a ação da dopamina – outro composto capaz de carregar mensagens.

Fumantes e ex-fumantes apresentavam índices mais altos dessas enzimas, conforme informaram os pesquisadores em artigo publicado no Journal of Neuroscience.

De acordo com Hope, outros estudos revelaram os mesmos resultados em animais que receberam cocaína e heroína. Ficou claro que os efeitos eram provocados pelas drogas.

“Isso sugere fortemente que as mudanças observadas em fumantes e ex-fumantes contribuem para o vício”, escreveu Hope em comunicado.

Especialistas em fumo têm alertado há muito que o potencial viciante da nicotina é tão grande quanto o da heroína.

De acordo com o Vigiescola 2002-2005 – estudo sobre o tabagismo entre estudantes no Brasil do Instituto Nacional de Câncer (Inca) – a maioria dos fumantes experimenta o primeiro cigarro antes dos 12 anos. A precocidade da experiência também está associada à severidade do vício.

No Rio de Janeiro, 10% dos meninos e 14% das meninas com idades entre 12 e 16 anos são fumantes. Em Porto Alegre, a capital com o segundo pior número de meninos viciados e o primeiro de meninas, os números sobem para 15% e 23%, respectivamente. Em Fortaleza, a situação se inverte. A capital do Nordeste tem o primeiro pior número de meninos fumantes – são 20% – e o segundo de meninas – 18%.

Ainda segundo estatísticas do Inca, existem 22 milhões de fumantes no país. Da população carioca, 20% dos homens e 15% das mulheres têm o vício.
Fonte: Jornal do Brasil